Locação acessível ganha espaço como alternativa para enfrentar o déficit habitacional no Brasil

Olhar para a moradia continua sendo um dos grandes desafios do setor da construção, e a locação acessível aparece cada vez mais como uma alternativa importante para enfrentar o déficit habitacional brasileiro. O tema foi debatido no painel “Locação acessível: ampliação por meio do modelo multifamily”, realizado nesta quarta-feira (20), durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o encontro destacou que, pela primeira vez, o Brasil começa a reduzir o déficit habitacional quantitativo, mas ainda enfrenta crescimento do ônus excessivo com aluguel, hoje principal componente do déficit habitacional brasileiro. E foi discutido a aplicação do modelo multifamily no país. O presidente da CBIC, Renato Correia, apontou o potencial econômico e social do modelo. “Esse novo mercado tem um potencial para ser um atrativo para o mercado de capitais, para trazer mais recursos e aquecer o setor”, afirmou.

Segundo o vice-presidente de habitação de interesse social da CBIC, Clausens Duarte, o modelo de locação acessível deve ser visto como um complemento ao Minha Casa, Minha Vida. “O programa democratizou o acesso à casa própria. O próximo passo é democratizar também o acesso à moradia bem localizada, acessível e profissionalmente gerida”, afirmou.

Durante o painel, Duarte apresentou dados que mostram crescimento de 43% na participação de imóveis alugados entre 2016 e 2024. Entre as propostas debatidas para viabilizar a locação acessível estão financiamento à produção com juros de até 8% ao ano, criação de fundo garantidor para aluguel e inadimplência, além de subsídios focalizados para famílias de menor renda. Entre as ideias para o projeto,  está a estruturação de um programa piloto nacional dentro do Minha Casa, Minha Vida, inicialmente em capitais e cidades com mais de 350 mil habitantes.

O diretor do Departamento de Produção Habitacional da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Fabrício de Andrade Lebeis, destacou que a locação social já faz parte da política nacional de habitação e se mostrou aberto para desenvolver o projeto. “Não queremos apenas as pessoas morando nas áreas de expansão dos municípios. Precisamos garantir também moradia em áreas centrais das cidades”, afirmou. Segundo ele, parcerias público-privadas e o uso de recursos do FGTS podem ajudar na estruturação de programas locais de locação social.

CEO do Grupo Din4mo, Marco Gorini apresentou a experiência do projeto SOMA, no centro de São Paulo, voltado para 110 famílias. “O primeiro aprendizado é que esse modelo só funciona se houver convergência entre setor privado, governo e setor social”, afirmou. Segundo ele, além da moradia, o projeto trabalha gestão social e serviços voltados para a comunidade. “Não temos falta de funding. Precisamos pensar estrategicamente e construir juntos essa solução”, disse.

O diretor sênior de finanças da Greystar Brasil, Vitor Costa, afirmou que o mercado de locação institucional veio para ficar no país. “A locação veio para ficar e há como prover moradia de qualidade e gerar retorno para o investidor”, afirmou. Segundo ele, linhas de funding subsidiado poderiam ajudar a atender famílias das faixas 2 e 3 do Minha Casa, Minha Vida. “A ideia é que a locação acessível não concorra com o MCMV, mas funcione de forma complementar. Precisamos unir forças, colocar um piloto na rua e construir algo escalável”, concluiu.

O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble.

O tema tem interface com o projeto “Segurança Habitacional como Garantia Básica para a Qualidade de Vida e Integridade Física do Trabalhador”, da Comissão de Habitação de Interesse Social (CHIS) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi).

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