O avanço vertiginoso da inteligência artificial se alimenta da energia que o Brasil pode produzir, mas ainda não dispõe, nem está pronto para construir em larga escala os data centers. Os desafios do processo para o setor da construção foram discutidos no painel “Data centers: as oportunidades e os requisitos para atuar nesses projetos”, no Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC2026), realizado em São Paulo.
O debate foi mediado por Ilso Oliveira, vice-presidente de Obras Industriais e Corporativas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O Brasil é o primeiro país da América Latina em investimentos no setor. São R$ 30 bilhões em investimentos anunciados, com crescimento anual de 40%, de acordo com Gustavo Pazelli, diretor da LZA Engenharia e Gerenciamento, um dos palestrantes.
Atuando no desenvolvimento de projetos de grande porte, ele teve que se adaptar a um modelo de contrato internacional, com garantias e controle compartilhado da gestão da construção, instalação e dos equipamentos.
O “general contract” exige nova cultura das empresas. Pazelli destaca dois dos pontos centrais para a adaptação ao modelo. “Essas empresas, para se propuserem a virar um bom General contract têm que ter essa parte da modelagem Bim. Tudo está partindo disso. E hoje tem que ter essa gestão tanto interna como externa de terceiros.”
Tiago Rossi, superintendente de Desenvolvimento de Negócios da Racional Engenharia, falou da experiência da implantação dos projetos, que, de pequenas salas, se tornaram complexos com servidores capazes de consumir anualmente energia de uma cidade com mais de 300 mil habitantes.
Segundo ele, a localização é um desafio. Apesar de abundante, a energia no país suficiente para atender a um data center só está tecnicamente disponível nos estados de São Paulo,Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, com boas oportunidades em regiões do nordeste.
A burocracia na importação dos equipamentos necessários é outro entrave. A demora pode atrasar e encarecer o projeto a ponto de inviabilizá-lo. A capacitação técnica e o nível de controle de qualidade devem ser mais rigorosos que o habitual.
“Você tem que estar aberto a poder lidar em um ambiente multicultural, com diferentes áreas e diferentes vendors de regiões diferentes do mundo. Então, tem que ter esse profissional que tem expertise de entender que a tecnologia avança e compreender como isso funciona”, disse Rossi.
A regulação dos data centers, bem como de insumos fundamentais para seu desempenho, como a energia e a água, estão entre as prioridades de outro dos mediadores do painel. Segundo Eduardo Aroeira, vice-presidente Financeiro da CBIC, que assumirá a presidência da entidade em julho próximo, as questões que viabilizam o setor já foram discutidas com o presidente Lula. “Levamos a ele a necessidade de regulação da água, da energia e do próprio corpo de bombeiros. Estamos falando não só de empresas, mas também de condições fundamentais para a qualidade de vida da população”.
A adequação dos interesses público e privado são pressionados pela urgência da demanda e da velocidade da quinta revolução tecnológica. O palestrante Luis Cuevas, diretor de Secure Power e Negócios de Data Centers da Schneider Electric no Brasil, mensurou o custo e o tempo. “A cada um dólar investido na instalação, oito dólares são investidos em equipamentos que precisam ser renovados a cada cinco anos. O que não acontecer aqui, acontecerá em outro país”.
O tema tem interface com o projeto “Conhecendo o Mercado”, da Comissão de Obras Industriais e Corporativas (COIC) da CBIC, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble.
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