CPR-SP debate gestão de gruas e cremalheiras

Segurança na NR 18

Reunião também abordou escadas de uso individual

A gestão de equipamentos como gruas e cremalheiras, e a normativa sobre escadas de uso individual foram os temas debatidos na 3ª Reunião Online de 2026 do Comitê Permanente Regional do Estado de São Paulo (CPR-SP) da Norma Regulamentadora (NR) 18, em 12 de maio.

Antonio Pereira, auditor fiscal do Trabalho e coordenador do Projeto da Construção da Seção de Segurança e Saúde no Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho (SRT) no Estado de São Paulo, discorreu sobre “Gestão da locação, uso e manutenção de cremalheiras, gruas e minigruas nos canteiros de obras”.

Em sua apresentação, Pereira relatou as providências de fiscalização adotadas pela SRT em relação às 20 principais empresas locadoras desses equipamentos, bem como ao treinamento de seus colaboradores. Ele alertou para a necessidade de mais cuidados com relação a projeto e manutenção de minigruas, que ocasionaram vários acidentes de trabalho por queda, nos últimos anos.

O auditor mostrou acidentes provocados por gruas, com rompimento do cabo de aço, e quedas dos equipamentos ou de suas cargas. Defendeu o estabelecimento de carga horária mínima nos treinamentos dos trabalhadores envolvidos em sua operação. Preconizou a fiscalização da grua antes da entrega, no pátio da locadora/fabricante, e não só quando chega na obra. Alertou para a necessidade de rastreabilidade em cintas e correntes, por exemplo, via QRCode, e de se normatizar melhor as gruas sem cabine.

Em relação aos elevadores de cremalheira, também mostrou acidentes por quedas, falhas de freio, descuidos de manutenção e treinamento dos profissionais envolvidos. Advertiu para a necessidade de ensaios periódicos, que não sejam apenas superficiais, nos eixos dos equipamentos, conforme estabelecem as NRs 12 e 18. Defendeu a automatização das rampas de acesso desses equipamentos, para poupar o esforço do trabalhador. E manifestou preocupação em relação aos cuidados com a parte elétrica.

Complementando, Luiz Marcel Fernandes, engenheiro especialista em máquinas e equipamentos do Senai-SP, mostrou em sua apresentação os principais problemas com esses equipamentos, em inspeções por ele feitas no âmbito do Programa SindusCon-SP de Segurança (PSS). Chamou a atenção para o isolamento da parte elétrica, o aterramento no circuito e na carcaça do painel, os cabos utilizados. Gruas podem ser atingidas por raios e requerem aterramento correto, lembrou.

Ele disse ter observado torres mal alinhadas, com fixação em blocos ocos, sem parafusos bem apertados; vazamentos nos redutores dos motores; falta de inspeção e ensaios nos eixos, freios pinhões e roletes; bases mal montadas; botões de emergência fora de norma; diminuição do alerta sonoro da grua; falta de laudos de rastreamento nos cabos de aço; desconhecimento, pelos sinaleiros, da capacidade de carga das cintas; e ascensão de minigrua por profissional não-qualificado.

Escadas de uso individual

Gianfranco Pampalon, consultor do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), abordou em sua apresentação o “Anexo III da NR-35 – escadas de uso individual”, que vigora em sua maior parte desde janeiro. Mostrou os quatro tipos de escadas, que requerem projetos e seu uso precisa ser precedido de análise risco. Esta análise também deverá determinar o tipo de escada mais adequado para cada tarefa, ou se é necessário buscar outras alternativas como andaimes ou plataformas elevatórias.

Pampalon lembrou que sempre se deve pensar em alternativa que elimina a necessidade de usar escada. Se não for possível, deve-se pensar a possibilidade de uso de escada convencional coletiva, com guarda-corpo. A instalação de escadas verticais requer a demonstração de que as outras possibilidades não atendem. O trabalhador deve ser capacitado por curso, e se for trabalhar em telhado, ter passado por curso complementar.

O auditor mostrou ainda um vídeo sobre os cuidados necessários no trabalho sobre as escadas. Elas precisam atender ao menos ser certificada ou fabricada de conformidade com a norma técnica. E as verticais fixas não devem ter gaiolas.

Mãos que Constroem Protegem

Rosilene Carvalho, gerente do Jurídico do SindusCon-SP, informou sobre o lançamento da segunda fase da campanha Mãos que Constroem Protegem, de combate à violência sexual sofrida por crianças e adolescentes. A campanha é uma parceria de SindusCon-SP, Seconci-SP e Instituto Liberta, com apoio do Sintracon-SP e da Feticom-SP, e sensibilizará os trabalhadores nos canteiros de obras.

A gerente do Jurídico também relatou que o Programa SindusCon-SP de Segurança (PSS) está completando 21 anos, com 14 técnicos de segurança do Senai-SP que percorrem as construtoras. Treinamentos gratuitos de NR 35 para trabalhadores estão sendo disponibilizados, e em breve, haverá treinamentos sobre a NR 18.

O evento foi aberto e coordenado por José Bassili, gerente de SESMT Corporativo do Seconci-SP; Haruo Ishikawa, vice-presidente de Relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP e membro do Conselho Deliberativo do Seconci-SP; Antonio Pereira; e Marcos Antonio de Almeida Ribeiro e Sebastião Silva, respectivamente vice-presidente e secretário geral do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo.

Todos os eventos : https://guiafornecedoresic.com.br/events/

Compartilhe