O Brasil tem R$2 trilhões anunciados em investimentos na infraestrutura até 2035. Ainda assim, há um déficit estimado de um milhão de engenheiros no país. Por quê? A pergunta e as respostas possíveis foram tema do painel “Quem Vai Construir o Brasil de Amanhã? O Desafio de Formar e Reter Engenheiros”, mediado por Ilso Oliveira, vice-presidente de Obras Industriais e Corporativas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC 2026), nesta quinta-feira (20) no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Luciana Montanari, Professora de Engenharia Mecânica e Presidente da Comissão de Graduação da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, expôs a visão da academia sobre o problema. A falta de profissionais da área, de acordo com ela, não é apenas quantitativa, mas também qualitativa. “Há um apagão de atratividade” disse, ao mostrar que a procura reflete a situação de mercado.
A retração ou crescimento são movimentos diretamente proporcionais à economia. Assim, entre 2010 e 2015 ela registrou explosão de vagas por causa do crescimento econômico, reforçado por Ensino à distância em 2017. A pandemia foi o ponto de inflexão.
A relação candidato-vaga ascendeu novamente a partir do final de 2022. A mecatrônica começou a aumentar, a engenharia aeronáutica tomou lugar da civil na comparação com a medicina.
A desistência preocupa escolas e empresas. Especialmente a evasão tardia, ocorrida depois da graduação. “O setor financeiro faz uma busca agressiva. Eles consideram nossos alunos como ótimos analistas, boas cabeças. Desde o estágio, o valor pago é bem maior, e a perspectiva oferecida é bem mais atraente”, disse Cézar Mortari, vice-presidente do Sinduscon-GO.
A perda para o mercado financeiro também foi notada por Thiago Melo, vice-presidente de Mineração na AFRY. Ele estima em um milhão o déficit de engenheiros no mercado. Indo a campo em busca de meios de atrair e reter talentos, disse ter ido a cinco universidades. “Eles sequer sabem o que a gente faz. Falta conhecimento da ponta dos projetos”.
A desconexão com o mercado aumentou com a explosão de faculdades e o ensino à distância, relataram os palestrantes. Melo aponta ainda a falta de atenção das empresas ao perfil atual dos estudantes. “O trabalho remoto, embora eu não seja adepto, penso que precisamos atender a isso.”
De acordo com ele, os jovens, ligados a temas atuais, como transição energética e inteligência artificial, “precisam entender que dependem da gente. Estamos muito distanciados das universidades, cabe a nós esta aproximação. É um ganho de mão dupla. As universidades ganham, a gente ganha.”
Pelo lado do mercado, Montari atribui ao retorno lento no início da carreira e os salários baixos, ao fato dos novos “não vestirem a camisa”. “O que as empresas têm feito para serem desejadas? Eu arrisco dizer que não fizemos nada. Precisamos fazer o nosso dever de casa”, concluiu.
Raphael Lafetá, presidente do Sinduscon-MG, também intermediador do painel, reconheceu que o setor hoje está mais voltado para a tecnologia, mas que “o engenheiro é um solucionador de problemas. Não se constrói sem engenheiros. Sem eles não adianta falar de tecnologia, de BIM, porque quem faz é ele.”
Defensor do incentivo do jovem à área desde o ensino médio, ele vê o futuro próximo com otimismo. “Há uma pressa, ansiedade deste jovem da era digital que precisamos trabalhar. A falta de ação do governo levará à desindustrialização. Mas, graças a Deus, estamos todos enxergando isso”.
O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble.
Construir com respeito é construir para todos. Racismo não tem vez!
O tema tem interface com o projeto “Engenharia e Educação como Vetores da Sustentabilidade”, da Comissão de Obras Industriais e Corporativas (COIC) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi).
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