Industrialização e inovação estão entre os temas que devem orientar a atuação da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) nos próximos três anos. À frente da vice-presidência de Inovação da entidade, Dionyzio Klavdianos defende que o momento atual é favorável para transformar o debate sobre industrialização em ações concretas capazes de chegar às empresas e aos canteiros de obras.
Há 12 anos na CBIC como presidente da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (COMAT), Klavdianos acompanha de perto a evolução das discussões sobre modernização do setor e tem uma longa história com o associativismo. Diretor técnico da Itebra Construções e Instalações Técnicas, foi presidente do Sinduscon-DF entre 2019 e 2023 e atualmente preside o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal (CODESE-DF).
Em entrevista ao CBIC Hoje, ele fala sobre os desafios da nova gestão da CBIC, as prioridades da COMAT e o avanço da industrialização da construção. Também aborda o impacto dos preços dos insumos e o trabalho da comissão diante das discussões sobre medidas de proteção à indústria nacional.
Como foi a sua trajetória associativa até chegar na CBIC?
Desde que comecei a me envolver com o Sinduscon DF, por volta do ano 2000, meu trabalho sempre esteve ligado à COMAT, comissão da qual me tornei presidente alguns anos depois. Como presidente da comissão, passei a colaborar com os projetos desenvolvidos pela COMAT da CBIC, então presidida pelo Sarkis Nabi Curi, do Sinduscon-GO. Por ocasião da eleição do Presidente José Carlos Martins, em 2014, tive a honra de por ele ser convidado a assumir este cargo, que até hoje ocupo.
Como você avalia os principais desafios para o setor da construção para os próximos três anos?
Fazer com que aspirações e expectativas em torno da industrialização se tornem realidade.
Transformar o momento único e especial de interação entre instituições públicas e privadas em favor da industrialização em ações efetivas para a evolução e aprimoramento das construtoras na ponta.
Diante deste cenário, quais as prioridades da COMAT nesta nova gestão?
Temos focado nosso trabalho nas iniciativas resultantes do 2° Workshop de Construção Industrializada e Sustentável, realizado em setembro de 2025, em parceria com o Senai e que contou com a participação de entidades representativas da iniciativa pública e privada. Estas iniciativas, concernentes com as ações prescritas no projeto construção 2030, são divididas em 04 grupos; estratégia e cultura para industrialização, padronização e integração para escala, formação profissional e academia da industrialização e fomento e inovação. Vamos focar nisso.
A industrialização já é um caminho consolidado dentro do setor? Ou ainda precisa de um maior desenvolvimento?
A industrialização nunca havia chegado ao ponto em que chegou hoje no qual há consenso de todas as instituições envolvidas da sua necessidade, em que o governo tem assumido o necessário protagonismo na efetivação de ações em favor, em que têm surgido construtoras que adotam os fundamentos da industrialização em sua essência, em que se faz cada vez mais necessário utilizar a boa engenharia, não apenas para o que já se sabe necessário, como diminuir déficit habitacional ou melhorar a infraestrutura do país , mas também para atender a população em situações de emergência e calamidade, cada vez mais recorrentes e transformar cidades para que sejam escudo contra cataclismas climáticos.
A COMAT tem acompanhado o aumento dos preços dos insumos de materiais na construção afetados por fatores políticos internacionais nestes últimos meses. Como está o monitoramento e acompanhamento desse processo?
Temos acompanhado sim, e neste processo temos sido ajudados bastante pela Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC. Temos sido requisitados sistematicamente pela imprensa e trabalhado em parceria com outras entidades parceiras para conter a sanha de setores da indústria primária, que recorrentemente solicitam ao governo brasileiro, via CAMEX, a elevação do Imposto de Importação e imposição de taxas de barreira, que senão inviabilizam, ao menos dificultam sobremaneira a utilização de insumos importados pela indústria de transformação local.
Trata-se de uma demanda nova para a COMAT e estamos projetando uma estrutura de trabalho mais completa e profissional de tratamento para dar conta.
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