Construção em transformação: mulheres ganham espaço e impulsionam nova geração do setor

A presença feminina na construção civil cresce e começa a redesenhar o perfil do setor no Brasil. Engenheiras, técnicas, arquitetas e gestoras avançam em diferentes áreas e ampliam sua participação também em posições de liderança, em um movimento que acompanha as transformações do mercado e as novas demandas por inovação, eficiência e diversidade.

No último ano, as mulheres ocuparam 13% dos postos de trabalho nos canteiros de obras. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mais de 200 mil mulheres atuam hoje na construção, o que representa um crescimento de 50% nas contratações na última década. O CBIC Hoje conversou com duas engenheiras que fazem parte do CBIC Jovem, programa da Comissão de Responsabilidade Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.

Entre os desafios enfrentados pelas mulheres na busca por liderança no setor está a necessidade de reafirmar sua presença. “Ao longo da minha trajetória, um dos principais desafios foi a constante validação técnica. Em muitos momentos, não bastava ter conhecimento, era preciso prová-lo repetidamente”, conta Pollyana Reis, engenheira da RPSV Tech e membro do CBIC Jovem.

Para Isabelle Vois, engenheira da Dinâmica Incorporadora e também integrante do CBIC Jovem, um dos principais obstáculos foi se afirmar em um ambiente ainda predominantemente masculino, especialmente no início da carreira. “Muitas vezes precisei demonstrar minha capacidade técnica com mais intensidade. Também enfrentei vieses, principalmente em relação à liderança feminina”, afirma.

Atualmente, Vois atua em uma incorporadora onde 60% da alta liderança é formada por mulheres e avalia com otimismo o cenário. “Hoje há mais abertura para a diversidade, mais mulheres em posições técnicas e de liderança e uma valorização maior baseada em competência e resultados”, diz. “O CBIC Jovem tem um papel fundamental nesse processo, ao promover a troca de experiências, incentivar a inovação e preparar novas lideranças para os desafios e oportunidades do setor”, completa.

Outro desafio apontado é o acesso a posições mais estratégicas. “Mas vejo uma mudança importante acontecendo. O setor está mais aberto, não apenas por uma questão de inclusão, mas porque já entende que a diversidade impacta diretamente os resultados e a inovação. Hoje, existe mais espaço, mais voz e mais protagonismo feminino, e isso tende a crescer ainda mais”, afirma Reis.

Para as engenheiras, o setor passa por uma transformação baseada em três frentes: industrialização, digitalização e sustentabilidade. “A tendência é sair de um modelo mais artesanal para um mais produtivo, com maior uso de sistemas construtivos racionalizados e soluções industrializadas, que aumentam a previsibilidade e reduzem desperdícios. Nesse cenário, o profissional precisa evoluir e ter uma visão mais estratégica e integrada do processo construtivo”, explica Reis.

Na avaliação de Vois, essa mudança também impacta o perfil dos profissionais. “Hoje, além do conhecimento técnico, é cada vez mais importante ter visão multidisciplinar, capacidade de adaptação e familiaridade com inovação. O engenheiro deixa de ser apenas executor e passa a atuar de forma mais estratégica, conectado com tecnologia, gestão e experiência do cliente”, conclui.

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