A convergência entre tecnologia de ponta, eficiência operacional e responsabilidade socioambiental ditou o tom do painel “Construção 4.0: IA, Dados e a Gestão de Energia e Água”, realizado hoje na Sala Pessoas durante o ENIC 2026. Sob a mediação de Nilson Sarti, vice-presidente de Meio-Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) o debate reuniu lideranças da indústria, especialistas e representantes do governo para apresentar soluções práticas e ferramentas que estão transformando o ciclo de vida das edificações no Brasil.
O debate foi focado em como a Construção 4.0, impulsionada por Inteligência Artificial e análise de dados digitais, pode revolucionar a gestão integrada de energia e água no ambiente construído. Durante a atividade, foram exibidos casos práticos e soluções voltadas para aumentar a eficiência operacional, diminuir os custos de produção e mitigar os impactos ambientais durante o ciclo de vida das edificações.
Infraestrutura hídrica e resiliência urbana
A abertura do debate técnico foi conduzida por Virgínia Sodré, CEO da Infinitytech e fundadora da Water Brain. A executiva fez um alerta contundente sobre as perdas hídricas no país, apontando que a infraestrutura ligada à água no Brasil registra cerca de 40% de destinação inadequada ou vazamentos, cenário que pode forçar populações vulneráveis a migrar por estresse hídrico até 2050. Como resposta, ela elegeu o chuveiro como grande vilão residencial e defendeu a gestão integrada da tríade água, energia e carbono, citando a economia de R$ 30 milhões obtida no projeto Viva Parque através de sensores IoT e telemetria.
“Não vamos mais projetar sem pensar em eficiência ambiental. O mercado compreendeu a necessidade de compensar o impacto através do conceito Water Positive e de sistemas de drenagem resiliente. Casos como o de hospitais públicos na Índia, que receberam investimentos da Microsoft focados em benefícios hídricos, provam que é totalmente viável trazer a Inteligência Artificial e o ESG na veia para construir com mais eficiência”, destacou Virgínia.
De produtos isolados a sistemas construtivos completos
Na sequência, Artur Ozelame, Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Sistemas Construtivos e Ciências da Construção na Saint-Gobain Brasil, abordou a migração da indústria para uma visão holística. Ele explicou que a empresa investe fortemente em ferramentas preditivas e simuladores bioclimáticos para antever o comportamento termo energético de fachadas antes das obras, evitando escolhas puramente estéticas. A empresa apresentou seu modelo de eficiência energética e uma calculadora desenvolvida para antecipar o consumo e o conforto térmico do usuário final.
“A abordagem holística é um caminho sem volta para o mercado brasileiro, pois uma mesma solução precisa de ajustes devido às características climáticas regionais. O setor deve se preparar para uma regulamentação iminente sobre eficiência energética. Não basta apenas dizer que um projeto é sustentável, torna-se mandatório comprovar o desempenho por meio de dados precisos e Declarações Ambientais de Produto (EPDs)”, ponderou Ozelame.
O papel do setor público e a telemetria em larga escala
A contribuição governamental foi apresentada por Marina Silva Garcia, Coordenadora do Procel Edifica e Estruturante na ENBPar. Ela explicou a nova estrutura do programa sob a gestão da ENBPar, que mantém os recursos da Aneel e registrou uma economia equivalente ao abastecimento de 11 milhões de residências em um ano. O grande destaque foi o projeto EnergIF, que investiu R$ 143 milhões na modernização e capacitação da Rede Federal, instalando medidores de telemetria em 217 campi pelo país.
“O monitoramento em tempo real permitiu revisar contratos de demanda junto às concessionárias. No campus do IFAP em Macapá, por exemplo, a conta de energia mensal despencou de R$ 57 mil para R$ 22 mil, gerando uma economia anual de cerca de R$ 415 mil. Para o futuro breve, lançaremos a Fase 2 do EnergIF, a nova plataforma do PBE Edifica e o DEObenchmark, que usará gamificação de dados de desempenho energético para fortalecer as empresas brasileiras”, anunciou Marina.
Padronização e tendências de mercado
O encerramento das exposições foi feito por Francisco Vasconcellos, vice-presidente do SindusCon-SP. Ele destacou a atuação do comitê de meio ambiente (Comasp) e apontou que, embora o Brasil sofra com a baixa disponibilidade de dados setoriais e a resistência das empresas em compartilhar informações, a digitalização abre oportunidades inéditas de transformação. Como solução, o SindusCon-SP estruturou ecossistemas gratuitos adaptados à realidade nacional, como a calculadora CEHídrica e a plataforma CECarbon, baseada no GHG Protocol, que já auditou 139 obras no país com o apoio do Governo Federal.
Ao concluir o painel e analisar o impacto dessas inovações na ponta de consumo e no avanço de materiais de menor pegada de carbono, Vasconcellos enfatizou a necessidade de consolidar a nova Plataforma de Construção Sustentável sem a necessidade de importar coeficientes estrangeiros.
“No Brasil, as pessoas ainda não dão o devido valor aos dados. O valor real de uma empresa no futuro estará na qualidade e na governança das informações que ela possui sob acordos de confidencialidade. Dado é ativo, dado é valor. A Construção 4.0 reside no uso inteligente e padronizado da tecnologia para garantir a sobrevivência econômica do mercado e a resiliência das cidades”, cravou o vice-presidente do SindusCon-SP.
Preservar o meio ambiente é investir em um futuro melhor para as próximas gerações.
O tema tem interface com o projeto “O Futuro da Minha Cidade”, da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMA) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e tem interface com o projeto “Finanças Sustentáveis para a Construção”, da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMA) da CBIC, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble.
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