A combinação entre o Building Information Modelling (BIM) e inteligência artificial (IA) pode acelerar a difusão e a implementação da modelagem digital na construção civil. É o que defendeu Lívia Guerra, arquiteta coordenadora da RETC Infraestrutura, em painel do Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026 nesta quarta-feira (20), voltado a aplicações práticas da metodologia em obras industriais. Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construição (CBIC), o evento acontece até 21 de maio no Distrito Anhembi, na cidade de São Paulo.
Para Guerra, a IA pode ser um catalisador para derrubar as barreiras de adoção do BIM no Brasil. “O desenvolvimento da IA pode baratear o acesso ao BIM e vai forçar as empresas de software a se flexibilizarem e incorporarem a IA com mais rapidez”, argumentou. “E pelos benefícios que o BIM pode trazer, acho que logo vamos esquecer o que é 2D [na construção].”
Durante o painel, Guerra descreveu como o uso de IA combinado com o BIM ajudou a tornar mais factível o processo de aprovação pelos clientes. Segundo a arquiteta, por mais refinado que seja um modelo 4D, clientes muitas vezes não conseguiam absorvê-lo. A solução foi construir um time-lapse da obra gerado com IA, feito a partir do modelo BIM, simulando o andamento da construção com riqueza de detalhes.
“Precisávamos entender qual IA traria o melhor resultado para o que precisávamos e também aprender a criar prompts assertivos”, explicou. “Pedir muitas vezes um prompt pode distorcer demais uma imagem e perder a qualidade.”
Foram utilizados três softwares de IA e um de BIM para o plano da RETC, desenvolvido a partir de um modelo federado disponibilizado pelo cliente. A duração total do trabalho foi de 80 horas úteis. “Se considerarmos que há um aprendizado contínuo pela nossa parte, não só da IA, acredito que podemos diminuir o tempo desse trabalho no futuro”, justificou.
O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble.
BIM nos processos de burocracia e de infraestrutura pesada
O painel foi mediado por Dionyzio Klavdianos, vice-presidente de Inovação da CBIC e presidente da Comissão de Materiais,Tecnologia, Qualidade e Produtividade (COMAT), que destacou o apoio do governo federal à construção civil como prioridade nos próximos anos e afirmou que isso também pode impulsionar a adoção do BIM pelas empresas.“Creio que este seja um momento oportuno para avançarmos nessas questões”, afirmou.“A construção civil ainda é frequentemente vista apenas por uma lógica de curto prazo e busca por resultados imediatos, enquanto a adoção do BIM e a transformação cultural exigem tempo e continuidade nas organizações.”
Se Lívia trouxe a perspectiva de quem usa o BIM para captação, Everson Siegel, diretor executivo de operações da Telesil, trouxe desafios mais ligados a implementação. Na própria Telesil, a jornada de execução durou em torno de quatro anos, da fase de diagnóstico e estruturação ao piloto operacional com o BIM em 4D. De acordo com Siegel, o modelo digital integrado permitiu antecipar conflitos e tomar os processos de análise mais previsíveis e rápidos, especialmente em projetos como o Minha Casa, Minha Vida.
“Usamos o BIM com ambiente de dados (CDE) em um empreendimento [do MCMV] no Rio Grande do Sul e reduzimos em 70,78% o tempo de análise [para a construção da obra], de 154 dias [no fluxo tradicional] a 45 dias [com o CDE]”, explicou Siegel sobre o projeto, implementado durante as enchentes no Estado.
Na infraestrutura pesada, o BIM cumpriu um papel incomum: o de instrumento de negociação com o poder público. Paulo Renato, especialista de infraestrutura e líder de engenharia digital da MRS Logística, contou como a empresa utilizou a metodologia para embasar a proposta de ampliação de sua concessão federal, que se encerraria em 2026.
Com foco em manutenção de ativos e na proposta de redução do tráfego rodoviário, a MRS conseguiu estender a concessão até 2056: um horizonte de 30 anos que viabiliza mais de 600 projetos, 15 bilhões em investimentos e a criação da MRS Hidrovias, prevista para 2027. “Para cada ativo hidroviário e ferroviário, temos uma categorização de acordo com nossa modelagem BIM. Esse mapa de requisitos pode integrar também as contratadas”, explicou.
Pessoas antes da tecnologia
Leonardo Santana, analista de produtividade e inovação da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), fechou o painel com uma visão mais estrutural. Para Santana, o debate sobre BIM ainda patina porque tende a começar pela tecnologia quando deveria começar pelas pessoas. “Não adianta ter dois funcionários numa empresa e só um saber BIM. BIM é sobre pessoas, processos e, no fim, a tecnologia”, afirmou.
Santana também chamou atenção para a desigualdade de adoção dentro do próprio país. O BIM não é uma realidade uniforme no Brasil: cada estado carrega suas próprias condições, maturidade técnica e infraestrutura. Ele acrescentou ainda que o CDE corporativo está em análise pelo Governo Federal, sinalizando que mesmo ferramentas já consideradas maduras seguem em processo de consolidação normativa.
Construir com respeito é construir para todos. Racismo não tem vez!
O tema tem interface com o projeto “Cultura da Gestão Compartilhada”, da Comissão de Obras Industriais e Corporativas (COIC) da CBIC, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
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