Robôs e inteligência artificial estão próximos dos grandes canteiros de obras, com capacidade de aumentar produtividade e reduzir custos. O que falta no setor da construção é talento humano. O painel “O futuro da Construção começa pelas pessoas”, durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026 discutiu a saída para o cenário real do setor, com mão de obra reduzida em 30% e com custo de até três vezes mais para reposição de uma vaga. Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o encontro acontece até 21 de maio no Distrito Anhembi, na cidade de São Paulo.
Mediado pela vice-presidente de Responsabilidade Social da CBIC, Ana Cláudia Gomes Martins, o painel apresentou a dimensão dos desafios da construção e as experiências que apontam para uma nova era. Para ela, as lideranças têm olhado muito para a tecnologia e menos para as pessoas. O comando das empresas não percebeu as mudanças e é preciso treinar líderes para habilidades que as faculdades não ensinam.
“Eles acham que não precisam aprender mais nada. Se a gente não ensinar, um líder não vai entender como o ser humano funciona, o que motiva as pessoas. A gente chama de mão de obra, como quem diz o seguinte: eu não preciso da cabeça, eu só preciso da mão”, disse Ana. “Não. Eu preciso da cabeça e do coração, a pessoa precisa desejar trabalhar.”
Ricardo Michelon, vice-presidente de Relações Trabalhistas da CBIC, ponderou sobre as responsabilidades quanto às novas exigências. “A gente precisa evoluir em todas as áreas, então não é uma questão de qual é o maior ou menor (responsável). É olhar para motivação, é olhar para a qualificação. É olhar para produtividade. É olhar para novos modelos de relações.”
O ENIC tem Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat,Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble.
Horizontalidade – Haline Aquino, CCO da Great Place to Work, afirmou que as pesquisas realizadas pela GPW mostram que o descompasso acontece em vários países e setores. No Brasil, porém, a rotatividade da mão de obra, sinal de insatisfação do empregado, é de 53%, uma das mais altas do mundo. De acordo com ela, “a tecnologia não afasta as pessoas, exige inovações.” O perfil geracional indica que jovens não querem trabalho, querem um propósito. O turnover é impulsionado pela prioridade dada à qualidade de vida, à família, a outros afazeres.
Maria Eugênia Fornea, diretora executiva da incorporadora Weefor, de Curitiba, no Paraná, afirma que o turnover em sua empresa é de cerca de 27%, quase a metade do índice apontado pela GPW. Ela mesma considera alto, mas sinal inevitável da contemporaneidade. “Não podemos querer que a geração Z se comporte como os baby boomers, que pensavam em fazer carreira em uma mesma empresa.” O modelo adotado pela Weefor é de uma horizontalidade sem perder a hierarquia. Os trabalhadores de baixo avaliam os de cima. Funciona como treinamento das chefias.
A atitude das lideranças tem feito a diferença, de acordo com os levantamentos relatados por Haline Aquino. Empresas que apresentaram maior rentabilidade e mais se valorizaram no mercado nos últimos dois anos foram impulsionadas pela alteração da cultura. A trilha seguida foi a mesma. “A liderança é quem molda a experiência, a experiência molda a cultura, a cultura molda resultados.”
Evolução da liderança – Midiane Marques, coordenadora administrativa e de recursos humanos da Gráfico Empreendimentos, com mais de 20 canteiros no Nordeste, relatou experiências de acolhimento de famílias e vizinhos no trabalho. Medidas como a aceitação de parentes na mesma empresa e adequação da jornada para permitir estudo e requalificação resultaram em avanço no comprometimento da mão de obra e aumento do empenho. Os resultados, no entanto, não foram capazes de mudar a cultura tradicional de liderança.
Por isso, Midiane entende que a transformação pode exigir atitudes mais drásticas. “Às vezes a gente vai precisar realmente abrir mão de alguns líderes que não entendem e que não evoluíram com essa questão da saúde no canteiro da saúde social, da saúde dos colaboradores.”
O tema tem interface com o projeto “Monitoramento de dados de Saúde e Segurança no Trabalho e Relações Trabalhistas e iniciativas de prevenção de acidentes e valorização do trabalhador”, da Comissão de Responsabilidade Social (CRS) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi).
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