ENIC 2026: Metas de ESG se consolidam como critério para atração de capitais 

A incorporação das práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) deixou de ser uma agenda opcional e se consolidou como uma métrica de sobrevivência financeira e atração de investimentos para a indústria da construção brasileira. O tema dominou os debates da tarde desta terça-feira (19), durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC), no Distrito Anhembi, em São Paulo. No painel focado em transformar mapeamentos teóricos em ações práticas nos canteiros de obras, especialistas alertaram que o mercado financeiro e os fundos internacionais estão punindo ou encarecendo o crédito para companhias que não conseguem auditar seus riscos socioambientais. 

A abertura e mediação da mesa de discussões foi conduzida pela vice-presidente de Responsabilidade Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ana Cláudia Gomes Martins. Ao introduzir o debate, ela sublinhou que a maturidade do mercado passa obrigatoriamente por uma profunda reflexão sobre o legado deixado pelas empresas nas comunidades onde atuam. “O futuro exige entender de que forma vamos impactar a sociedade e qual impacto queremos deixar no mundo e na sociedade. A engenharia moderna não pode mais se limitar a entregar uma estrutura física; ela precisa se conectar com a responsabilidade geracional”, afirmou. 

A análise estratégica inicial do bloco técnico foi apresentada pela professora da Fundação Dom Cabral, Denise Hills. Com ampla trajetória em finanças sustentáveis e ex-presidente da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, a especialista detalhou a conexão direta entre governança corporativa e a atração de capital de longo prazo. “O impacto que a gente gera não é opcional. O nosso grande trabalho aqui é entender, junto com o resultado financeiro, qual é esse reflexo e cada vez mais mitigar, diminuir os impactos negativos e transformar isso em um resultado positivo também para a sociedade. No setor de construção, que está tão diretamente ligado à vida das pessoas, isso é essencial”, defendeu Denise. 

O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble. 

Matriz de maturidade – Dando sequência às soluções práticas, o Sinduscon-MG apresentou a jornada de desmistificação do tema com o lançamento do “Guia Prático de Implementação de ESG para Empresas da Construção”. O engenheiro e consultor Marcelo Eduardo Figueiredo explicou que o projeto nasceu há quatro anos focado em pequenas e médias empresas. “Sempre o ESG foi algo muito inatingível, muito teórico, de grandes players. Buscamos a desmistificação disso através de uma cartilha simples, mostrando o dado prático do canteiro de obras. O guia é uma leitura de pouco mais de 10 minutos que dá um passo a passo para o pequeno empresário ver que não é tão difícil”, detalhou. 

Para viabilizar essa aplicação no dia a dia, o líder de Gestão do Conhecimento e Processos do Sinduscon-MG, Lucas Figueiredo, detalhou o desenvolvimento de um agente de Inteligência Artificial criado para estruturar matrizes de maturidade. “A partir da necessidade de trazer a aplicação para a prática, criamos uma ferramenta conversacional para capturar os stakeholders e itens de maior relevância do negócio. Por meio de perguntas e respostas, o diagnóstico gera uma lista de ações em canteiros de obras associada aos ODS da ONU e entrega um plano de curto, médio e longo prazo”, pontuou Lucas. 

Resultados reais: o ESG aplicado no mercado 

O painel trouxe também o relato de casos reais de mercado, começando pela apresentação do case “Raízes”, conduzido por Valeria Gabas, diretora de unidade de negócio do Grupo Plaenge em Campo Grande (MS). Iniciado em 2021 a partir de um processo de escuta ativa, o projeto envolveu colaboradores voluntários para o desenvolvimento de lideranças sustentáveis. “Hoje conseguimos associar os projetos com as ODSs para ter eficiência energética e redução de consumo de água, o que já resulta em premiações e certificações nesses empreendimentos que já estão entregues”, comemorou a executiva. 

O fechamento do bloco de experiências foi feito pela engenheira civil Julia Basso, coordenadora de sustentabilidade corporativa da RAC Engenharia — uma empresa B certificada. A especialista compartilhou as práticas de economia circular e a cultura de prevenção da construtora, reforçando a necessidade de inovação atrelada a dados para guiar o setor. “A mensagem principal é sobre a importância de as indústrias de grande pegada, seja ambiental ou social, mensurarem suas ações para tomar decisões concretas baseadas em dados. Precisamos mitigar esses reflexos e trazer propósito para a operação. O nosso mercado carece de inovação, e a sustentabilidade engloba e impulsiona muito bem esse movimento”, concluiu. 

Preservar o meio ambiente é investir em um futuro melhor para as próximas gerações. 

O tema tem interface com o projeto “A transição da construção para o modelo industrializado”, da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (COMAT) da CBIC, com o projeto “Construir com Impacto Positivo – Eficiência Hídrica e Inovação na Construção Civil”, da Comissão de Meio Ambiente (CMA) da CBIC, e com o projeto “Mapeamento de Práticas ESG na Indústria da Construção”, da Comissão de Responsabilidade Social (CRS) da CBIC, todos em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). 

 

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