Industrialização da construção toma centro do debate no ENIC 

O avanço na industrialização da construção no Brasil foi tema de debate nesta terça-feira (19), primeiro dia de atividades do Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC), realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo. Intitulado Industrialização da Construção: da agenda estratégica à implementação”, o painel contou com a participação de representantes do governo, do setor privado e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), organizadora do evento. 

Na abertura, Dionyzio Klavdianos, vice-presidente de Inovação da CBIC, pontuou como a instituição vem tratando a industrialização da construção como uma agenda estratégica para o futuro do setor, especialmente a partir do projeto Construção 2030, iniciativa que reuniu e sistematizou os principais desafios da cadeia produtiva. Klavdianos destacou a criação da Plataforma de Referência para Habitação de Interesse Social (HIS), concebida inicialmente como projeto-piloto para testar novos modelos de produção habitacional. 

Estamos falando de sair de soluções isoladas e caminhar para um modelo baseado em padronização, escala e previsibilidade, integrando projeto, produto e execução”, explicou. Mas é importante destacar: o objetivo não é criar uma solução única, e sim validar um modelo de negócio replicável, que possa estimular o surgimento de múltiplas plataformas de produto no setor.” 

Leonardo Santana, representando a Unidade de Transformação Digital da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), vinculada ao Ministério das Cidades, destacou as recentes iniciativas do governo federal para estimular a industrialização da construção civil. O objetivo, segundo Santana, é acelerar ações voltadas à capacitação de pequenas e médias empresas e à disseminação do BIM (modelagem da informação da construção). Tivemos a chance de discutir e apresentar ações de várias entidades que atuam em prol da construção industrializada”, comemorou. 

O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e correalização do Sesi e do Senai. O evento conta com apoio institucional da Embrapii; patrocínio oficial da CAIXA e do Governo Federal; patrocínio institucional da CNI, IEL e CAU/BR; patrocínio do Hub de Tecnologia da Schneider Electric e Steck; patrocínio do Hub de Inovação do Sebrae; patrocínio da Naming Room de Tecnologia da ABDI; patrocínio ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; patrocínio prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea/Crea-SP e Mútua; patrocínio bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, FastBuilt, Falconi, Sinaenco e Sinicon; além do patrocínio de visibilidade da Trimble. 

Já Fabrício de Andrade Lebeis, Chefe de Gabinete da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Ciades, expôs como o governo vem se esforçando para atenuar entraves administrativos no setor, como o intervalo entre a autorização de projetos e a entrega de empreendimentos — cenário que exigiu medidas de desburocratização e adaptação a uma nova realidade. Para isso, disse Lebeis, o Ministério das Cidades reuniu parceiros do Minha Casa Minha, Vida para criar grupos de trabalho com foco em medidas pragmáticas e na obtenção de resultados mais rápidos. 

Em 2023, o Ministério das Cidades já teve experiências com projetos-piloto que utilizaram formas e pré-moldados e conseguiram acelerar entregas do Minha Casa Minha Vida”, explicou. Agora, a proposta é avançar para algo ainda mais industrializado e replicável, dentro da agenda de 2050 do MDIC.” 

Foto: Ruy Hizagutu Fotografia

 Iniciativas de inovação 

Alguns dos representantes presentes no encontro aproveitaram o debate para destacar iniciativas de inovação desenvolvidas em suas instituições. Igor Manhães Nazareth, diretor de inovação e relações institucionais da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), ressaltou o papel da instituição na ampliação do acesso das empresas a projetos de inovação de forma ágil e menos burocrática. Segundo ele, a Embrapii já apoiou mais de 4,1 mil projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo de 13 anos de atuação, envolvendo cerca de 2,8 mil empresas e movimentando aproximadamente R$ 8,3 bilhões em investimentos. 

 Sabemos que o setor privado precisa sempre colocar um produto novo no mercado, porque o concorrente também está desenvolvendo novas soluções”, explicou. Nesse sentido, a Embrapii consegue trazer agilidade e compartilhar o custo do projeto com recursos não reembolsáveis. Dependendo do porte, a empresa paga 50% ou menos de um projeto que depois poderá levar ao mercado.” 

Superintendente de inovação e tecnologia do Senai, Roberto Medeiros defendeu que a industrialização da construção civil depende não apenas de novas tecnologias, mas também do desenvolvimento de competências profissionais e da adaptação gradual do setor. Segundo Medeiros, a mudança no modelo produtivo brasileiro não ocorrerá de forma imediata e exige integração constante entre formação profissional e indústria. 

A estratégia do Senai para essa transição está estruturada em três pilares: educação, tecnologia e inovação”, explicou. Na área educacional, o foco é preparar trabalhadores para as novas demandas da construção industrializada em diálogo direto com o setor produtivo. Já no campo tecnológico, a instituição destaca sua rede de laboratórios voltada a testes, validação de sistemas construtivos e flexibilização de normas. Em inovação, o desafio ainda é ampliar a quantidade de projetos-piloto capazes de servir de referência para o mercado.” 

Daniel Gispert, presidente do Comitê de Construção Industrializada do SindusCon-SP, por sua vez, destacou a necessidade de ampliar o diálogo com pequenas e médias empresas. Segundo ele, são elas as principais responsáveis pela expansão da industrialização no Brasil. Nosso objetivo era fortalecer a integração do setor e ampliar o compartilhamento de experiências, tecnologias e capacitação profissional em um mercado que enfrenta mudanças aceleradas e crescente demanda por qualificação”, pontuou. 

Construir com respeito é construir para todos. Racismo não tem vez! 

O tema tem interface com o projeto “A transição da construção para o modelo industrializado”, da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (COMAT) da CBIC, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). 

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