Setor privado tem papel estratégico na construção de cidades sustentáveis defende CBIC

Relatório elaborado pela SB COP será divulgado nesta terça-feira, em Belém, com propostas de transformação com foco em energia, saneamento; mobilidade urbana e habitação

Responsáveis por mais de 80% das emissões globais de CO₂ e abrigando 57% da população mundial, as cidades são protagonistas na agenda climática da COP30, a Conferência das Nações Unidas que está sendo realizada nesta semana em Belém. Um relatório do grupo de trabalho Cidades Sustentáveis da Sustainable Business COP (SB COP) será apresentado nesta terça-feira (11), em Belém, durante evento na Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). A iniciativa reúne empresas e entidades do setor privado na busca de soluções sobre como transformar espaços urbanos com diferentes graus de maturidade ambiental.

Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia afirma que o setor privado deve ser catalisador de investimentos sustentáveis. “Empresas e investidores têm papel decisivo na criação de empregos verdes, e podem ser estratégicos em parcerias público-privadas para ampliar a escala e a viabilidade econômica de projetos focados na transição climática”, explica Correia, que é vice-presidente do grupo de trabalho Cidades Sustentáveis.

O documento elaborado pela SB COP propõe uma transformação estrutural em três frentes prioritárias: energia, saneamento e água; mobilidade urbana e logística; e habitação e infraestrutura resiliente. O objetivo é orientar políticas públicas e investimentos para que as cidades se tornem motores de progresso climático e inclusão social.

Habitação verde e planejamento resiliente

Garantir moradia digna e reduzir o déficit habitacional continuam entre os maiores desafios nas grandes cidades. A recomendação da SB COP é que o planejamento urbano seja orientado por dados, com incentivos à construção sustentável, reformas de edifícios existentes e uso de tecnologias verdes.

O relatório defende ainda zoneamento estratégico de uso misto e integração de soluções baseadas na natureza, como sistemas de drenagem verde e alertas contra enchentes.

“Não há justiça climática sem justiça habitacional. Garantir moradia adequada é uma das formas mais eficazes de proteger populações vulneráveis contra os efeitos do clima extremo. As políticas de moradia devem incorporar padrões sustentáveis, eficiência energética e acesso universal à infraestrutura básica, defende o presidente da CBIC.

Três arquétipos urbanos para soluções sob medida

O relatório da SB COP propõe metodologia que classifica as cidades em três grupos, considerando nível de maturidade institucional e complexidade socioambiental. O Grupo Azul engloba cidades com baixa maturidade e alta complexidade, e cujo foco deve ser garantir acesso a serviços básicos e infraestrutura comunitária. Os centros urbanos do Grupo Amarelo apresentam maturidade média, e devem focar em aumentar a eficiência dos serviços prestados, usando planejamento integrado.

Já as cidades do Grupo Verde possuem alta maturidade e baixa complexidade, são capazes de liderar inovação e implementar soluções digitais e de economia circular. Vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CBIC, Nilson Sarti afirma que a metodologia buscou evitar estratégias padronizadas, adaptando as soluções climáticas à realidade de cada cidade.

“Cada cidade tem um ritmo e um ponto de partida. As de baixa maturidade precisam primeiro garantir o básico, como saneamento, mobilidade e energia, antes de avançar em tecnologias de ponta. O desafio é oferecer caminhos graduais, mas contínuos, para todas. Precisamos de rotas diferenciadas que respeitem as condições locais e ampliem o impacto social das políticas públicas.”

Cidades sustentáveis – Relatório do Grupo de Trabalho da SB COP
Data: terça-feira, 11 de novembro de 2025
Horário: 15h
Local: Fiepa – Trav. Quintino Bocaiúva, 1588 – Nazaré

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