
O potencial logístico do Centro-Oeste e a capacidade das empresas regionais de executar grandes projetos industriais estiveram em debate no 16º Roadshow da Comissão de Obras Industriais e Corporativas (COIC) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), realizado nesta terça-feira (27), em Goiânia. Com o tema “Infraestrutura Logística e Projetos Industriais alavancam o Centro-Oeste”, o evento integrou o Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores da Região Centro-Oeste, com atividades no Espaço FIEG, durante a EXPOIND 2026.
Na abertura, o presidente executivo da CBIC, Fernando Guedes, destacou a relevância econômica do segmento de obras industriais e corporativas, que, segundo ele, movimenta R$ 160 bilhões por ano, entre investimentos de capital (CAPEX) e despesas operacionais (OPEX), e emprega cerca de 800 mil pessoas diretamente. Ele ressaltou que o Roadshow promove um ambiente de discussão sobre os desafios do setor e contribui para o desenvolvimento das empresas brasileiras.
“Esse ambiente de discussão da COIC é o mais qualificado ambiente de discussão de questões sobre obras industriais e corporativas no Brasil”, afirmou.
Ilso Oliveira, vice-presidente da Área de Obras Industriais e Corporativas da CBIC, ressaltou a importância de discutir o potencial do Centro-Oeste para atrair novos empreendimentos e o papel da infraestrutura logística nesse processo. Segundo ele, o Roadshow contribui para ampliar o conhecimento das empresas e fortalecer a preparação do setor para os desafios dos grandes projetos industriais.
“Os Roadshows entregam ao setor de obras industriais importantes informações e orientações para elevar o nível de maturidade das empresas que deles participam”, afirmou.
Logística como fator de competitividade
Professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende apresentou um panorama dos desafios logísticos brasileiros e do papel estratégico do Centro-Oeste na integração dos corredores de transporte e no escoamento da produção. Segundo ele, o elevado custo logístico compromete a competitividade das empresas e reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura, armazenagem e diversificação da matriz de transportes.
Resende afirmou que o custo logístico brasileiro corresponde a 12,35% do faturamento bruto das empresas embarcadoras, percentual superior aos índices que apresentou para Estados Unidos, China e Índia. Ele também destacou a dependência do transporte rodoviário e defendeu maior participação das ferrovias e hidrovias no deslocamento de cargas.
Para o professor, Goiás reúne condições para ampliar sua relevância logística no país. “Goiás deveria ser o estado logístico do Brasil”, afirmou, ao defender o aproveitamento da posição estratégica da região nos fluxos nacionais e internacionais de mercadorias.
Resende também ressaltou a importância de políticas de infraestrutura de longo prazo, com continuidade entre governos e integração dos planos estaduais e nacionais de logística. Segundo ele, os investimentos no setor exigem planejamento consistente, já que os retornos das obras ocorrem ao longo de décadas.
Gestão compartilhada na execução de projetos
A experiência da Mineração Serra Verde, em Goiás, foi apresentada por Júlio Torres, diretor de projetos da empresa. Ele detalhou os desafios identificados após o início da operação da planta e as medidas adotadas para ampliar a capacidade produtiva e adequar os custos operacionais aos parâmetros previstos.
Diante da necessidade de implementar melhorias sem comprometer ainda mais os prazos, a empresa adotou um modelo de implantação fast-track, que permite executar etapas do projeto em paralelo. A estratégia exigiu planejamento integrado, avaliação de riscos, articulação entre equipes e participação conjunta das empresas envolvidas nas decisões.
Torres destacou que a gestão compartilhada foi um dos elementos centrais da experiência. “Gestão compartilhada não significa diluir responsabilidades”, afirmou. Segundo ele, o modelo permite construir o planejamento em conjunto, resolver problemas de interface e orientar as decisões para o sucesso do empreendimento.
A apresentação também ressaltou a importância da validação técnica das soluções, da integração entre engenharia, suprimentos e construção e da mobilização de profissionais especializados para reduzir riscos durante a execução.
Empresas goianas e capacidade para grandes obras
Vice-presidente do Sinduscon-GO e da representação da região Centro-Oeste na CBIC, César Mortari apresentou projetos executados por empresas com sede em Goiás em diferentes segmentos, como infraestrutura, obras corporativas, montagem industrial e instalações industriais.
A apresentação reuniu exemplos de empreendimentos realizados no estado e em outras regiões do país, incluindo fábricas, unidades de processamento, hospitais, estruturas logísticas e obras de infraestrutura. Mortari também destacou a capacidade produtiva de fornecedores locais de estruturas metálicas, pré-moldados de concreto e telhas térmicas e painéis isotérmicos.
“Nós temos condição de fazer qualquer projeto. Nós temos engenharia para fazer, temos condições, temos empresas de qualidade, e temos, fundamentalmente, vontade de fazer crescer esse país, fazer crescer Goiás, Centro-Oeste”, afirmou.
Para Mortari, a experiência acumulada pelas empresas regionais e a estrutura disponível no estado demonstram que o setor tem condições de participar de empreendimentos industriais e corporativos de diferentes portes.
Confira o conteúdo completo do 16º Roadshow COIC.
O tema tem interface com o projeto “Conhecendo o Mercado”, da Comissão de Obras Industriais e Corporativas (COIC) da CBIC, e com o projeto “Cultura da Gestão Compartilhada”, da Comissão de Obras Industriais e Corporativas (COIC) da CBIC, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
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