O primeiro painel do Conexão CBIC, realizado nesta terça-feira (2), reuniu especialistas e parlamentares para analisar os entraves que continuam limitando o avanço econômico e institucional do Brasil. O debate ocorreu no momento em que a CBIC tem reforçado a importância de previsibilidade, produtividade e governança como pilares para atrair investimentos e ampliar a qualidade da infraestrutura e da habitação no país.
O ponto de partida foi o contraste entre um presente de indicadores positivos e um futuro ainda incerto. Apesar das sucessivas revisões para cima do PIB — já no quarto ano de crescimento acima do esperado — permanece a dúvida sobre a capacidade do país de transformar resultados conjunturais em um ciclo duradouro de prosperidade. Mediando o painel, o jornalista da CNN Brasil, Daniel Ritter, trouxe essa provocação ao público: mesmo após uma “reforma necessária”, disse, o país ainda não construiu bases sólidas para um crescimento sustentável.
Foi nesse contexto que o presidente da CBIC, Renato Correia, destacou a necessidade de políticas públicas mais consistentes e alinhadas à realidade das cadeias produtivas. Ele lembrou que a construção civil tem papel estruturante na economia, mas depende de decisões bem planejadas e bem executadas.
“Não chegamos aonde merecemos. Precisamos de políticas bem conduzidas para garantir vida digna ao cidadão e desenvolver nossos negócios, oferecendo infraestrutura e habitação de qualidade”, afirmou.
Produtividade e consenso – A discussão evoluiu para um olhar mais estrutural sobre o país. O cientista político Fernando Schüler observou que o Brasil convive com tensões democráticas permanentes, que reduzem a capacidade de construir consensos — especialmente em temas fiscais e de produtividade. Ele chamou atenção para o risco de estagnação diante do envelhecimento populacional e da lenta evolução da renda média.
“Se crescermos no ritmo dos últimos dez anos, vamos parar no tempo. Produtividade precisa ser um tema de consenso”, alertou. Schüler também ressaltou que setores como a construção têm ampliado resultados, mas que o ambiente de incerteza coloca em risco a continuidade desses avanços.
Um dos pontos recorrentes do debate foi a necessidade de maior participação da sociedade — especialmente do setor empresarial — nos debates públicos. O senador Izalci Lucas (PL/DF) defendeu que empresários se envolvam mais diretamente na formulação de soluções e no acompanhamento das pautas do Congresso. Para ele, a ausência desse diálogo dificulta avanços em áreas como educação profissional e segurança pública. “Quem não gosta de política será governado por quem gosta”, afirmou, reforçando que a qualidade das decisões depende da qualidade da participação.
O deputado Pauderney Avelino (UNIÃO/AM) reforçou esse diagnóstico ao abordar problemas concretos na aplicação de recursos públicos. Ele citou a degradação de serviços essenciais, especialmente em saúde e educação, e destacou que a reforma tributária — embora necessária — demandará atenção constante do setor produtivo para entender seus efeitos práticos. “O empresariado precisa se preparar para a fase experimental”, disse.
Na sequência, o deputado Pedro Paulo (PSD/RJ), coordenador da reforma administrativa, trouxe uma perspectiva institucional do país. Segundo ele, o Brasil construiu, desde a Constituição de 1988, um sistema democrático forte e capaz de impedir retrocessos, mas que também torna mais lentas as mudanças estruturais.
Ainda assim, o deputado lembrou que o Congresso aprovou reformas profundas nos últimos anos — da Previdência à tributária — e que o próximo passo está na inovação do setor público. Ele citou PIX e GovBR como exemplos de que o Estado pode inovar, desde que tenha condições institucionais para isso.
Encerrando o painel, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP/PB) defendeu que o país precisa enfrentar, com mais franqueza, debates estruturais como a cultura da reeleição, a responsabilidade fiscal e a transformação digital. Ele reforçou que o Congresso reflete a sociedade e que a superação dos impasses nacionais depende de escolhas mais responsáveis e de uma visão de longo prazo.
Iniciativa da CBIC, o Conexão CBIC 2025 tem correalização do SESI e SENAI; patrocínio oficial da Caixa Econômica e Governo Federal; patrocínio institucional do Sienge e sistema Confea, Crea, Mútua; patrocínio ouro da Saint-Gobain; patrocínio prata da Atlas Schindler; e patrocínio bronze da Senior, Impacto Protensão e Konstroi.
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