Indústria defende aceleração da agenda climática no pós-COP30

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reuniu, nesta quarta-feira (4), em Brasília, representantes do governo, do setor produtivo e especialistas para discutir os desdobramentos da COP30 e traçar a estratégia da indústria rumo à COP31, marcada para novembro, na Turquia. O evento reforçou a avaliação de que a conferência realizada em Belém inaugurou uma nova fase das negociações climáticas, com foco na implementação e na aceleração de soluções. 

Representando a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da entidade, Nilson Sarti, destacou a importância de dar continuidade às ações iniciadas em Belém e reforçou o papel do setor privado na implementação das metas climáticas. “A COP30 não foi apenas um evento pontual, mas parte de um processo contínuo. A agenda climática precisa ser permanente e avançar para além das conferências. A SBCOP, da qual participei ativamente em 2025, tornou-se uma referência global ao fortalecer o protagonismo do setor privado na implementação de soluções e negociações climáticas. A expectativa é que essa agenda se perpetue e siga integrada às próximas COPs, consolidando um modelo cada vez mais pragmático e orientado a resultados”, disse. 

Ao abrir o encontro, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero) e vice-presidente da CNI, Marcelo Thomé, afirmou que a COP30 foi um marco ao consolidar o conceito de “COP da implementação”. 

“O encontro foi conhecido como a COP da implementação, pois buscou transformar compromissos em resultados concretos”, afirmou. 

Entre os avanços destacados por Thomé estão o lançamento do fundo Florestas Tropicais para Sempre, voltado à conservação e restauração de ecossistemas, e a criação da Coalizão Aberta dos Mercados Regulados de Carbono, iniciativa liderada pelo Brasil com apoio da União Europeia e de países como China, Canadá e México para acelerar a descarbonização da economia. 

O dirigente também ressaltou o papel da Sustainable Business COP (SBCOP), coalizão empresarial liderada pela CNI durante a conferência. Segundo ele, a iniciativa reuniu empresas de mais de 60 países e apresentou mais de 600 experiências em andamento, com 48 iniciativas climáticas consideradas bem-sucedidas. “A indústria tem contribuído de forma efetiva para o desenvolvimento sustentável”, disse. 

Multilateralismo e coalizões 

A secretária-executiva da COP30, Ana Toni, avaliou que a conferência deixou como legado o fortalecimento de um multilateralismo mais pragmático, baseado em coalizões. 

“Temos o multilateralismo por consenso, mas também o multilateralismo por coalizões de stakeholders, que não competem entre si, são complementares. Há temas em que não podemos esperar”, afirmou. 

Ela destacou que a COP não deve ser entendida como um evento restrito a duas semanas de negociações, mas como um processo contínuo. “COP é todos os dias”, disse, ao defender a continuidade da articulação público-privada para acelerar a implementação de metas climáticas. 

Entre as prioridades até a COP31, Ana Toni citou a elaboração de roteiros para a transição para longe dos combustíveis fósseis e para o fim do desmatamento, além da mobilização de investimentos para países em desenvolvimento. 

Implementação com metas e investimentos 

High-Level Climate Champion da COP30, Dan Ioschpe afirmou que a conferência consolidou uma “mudança de era” na agenda climática global. 

Ioschpe destacou que, durante a COP30, foram apresentados cerca de 120 planos de aceleração de soluções (PACs), voltados a remover gargalos regulatórios e financeiros. No setor de infraestrutura elétrica, segundo ele, a Utilities for Net Zero Alliance elevou a meta de investimentos anuais para US$ 148 bilhões, com um plano total de US$ 1 trilhão até 2030 para modernização de redes e ampliação da capacidade de energia renovável. 

Também foram mencionadas iniciativas para harmonização de mercados de carbono, com potencial de destravar US$ 50 bilhões anuais em financiamento climático, e projetos de eletrificação do transporte de cargas no Brasil. 

Mais influência e foco em resultados 

Chair da SBCOP, Ricardo Mussa avaliou que, após o primeiro ciclo de consolidação da iniciativa, o desafio agora é ampliar a influência do setor produtivo nas decisões climáticas globais. 

“A gente tem que usar essa envergadura para ser muito mais impactante nas discussões, não só na negociação, mas principalmente na implementação”, afirmou. 

Segundo Mussa, a estratégia para 2026 prevê a redução do número de temas prioritários e a elaboração de position papers para fortalecer a atuação coordenada das confederações industriais de diferentes países. 

Competitividade e geração de negócios 

Para a sócia de Estratégia e Sustentabilidade da Deloitte no Brasil, Maria Emília Peres, o principal legado da SBCOP foi demonstrar que a agenda climática pode ser também uma agenda de negócios e competitividade. 

“Precisamos sair de uma pauta apenas de ativismo e avançar para o pragmatismo, levando à mesa projetos com viabilidade financeira”, afirmou. 

Ela destacou que a integração entre empresas, governos e instituições financeiras é fundamental para acelerar políticas públicas e investimentos, especialmente em um cenário geopolítico complexo. 

Na mesma linha, a vice-presidente de Assuntos Corporativos da PepsiCo no Brasil, Suelma Rosa, defendeu que o engajamento empresarial precisa ser mantido na transição para a COP31. 

“O setor privado tem capacidade de inovar e transformar cadeias de valor, mas precisa de marcos de políticas públicas que consolidem essas transformações”, afirmou, ao citar iniciativas ligadas à agricultura regenerativa e sistemas alimentares. 

Em mensagem em vídeo, o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores e presidente da COP 30, André Corrêa do Lago, elogiou a atuação do setor privado brasileiro durante a conferência e destacou que a implementação das soluções depende da atuação conjunta de governos e empresas. 

“O mundo viu o setor privado brasileiro unido em torno da COP30”, afirmou. 

 

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