A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) realizou, nesta terça-feira (25), a 13ª Reunião Ordinária do Grupo de Trabalho (GT) de Segurança Hídrica e Cidades Resilientes. O encontro reuniu representantes do setor para discutir os impactos das mudanças climáticas sobre a construção, os desafios de adaptação e o uso de dados climáticos como ferramenta para apoiar decisões estratégicas.
A reunião contou com a participação de Douglas Cardoso Meirelles, gerente de Public Affairs Integrated Solutions da Saint-Gobain, que apresentou um balanço do Fórum de Desenvolvimento Imobiliário, Construção e Finanças Sustentáveis, realizado durante a SP Climate Week 2026. A iniciativa reuniu CBIC, Abrainc, Secovi-SP, SindusCon-SP e Saint-Gobain e buscou ampliar a participação da construção na agenda climática.
Segundo Meirelles, o evento reuniu cerca de 150 pessoas presencialmente, teve aproximadamente 400 inscritos e gerou mais de 25 publicações na imprensa. Para ele, a construção coletiva da agenda foi um dos principais resultados da iniciativa.
“Não é somente a descarbonização pela descarbonização, mas sim como ela afeta toda a cadeia com impacto positivo em todas as suas frentes”, afirmou Meirelles, ao destacar a importância de conciliar sustentabilidade, viabilidade econômica e resultados técnicos.
Mudanças climáticas já impactam os negócios
Durante o debate, o vice-presidente da área de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMA) da CBIC, Nilson Sarti destacou a necessidade de o setor compreender que os efeitos das mudanças climáticas já estão próximos da realidade das empresas. “Muitas vezes eu acho que isso é só essa questão de clima está longe da gente, mas está muito perto da gente. E que impacta nosso negócio”, afirmou.
Meirelles citou como exemplo unidades industriais da Saint-Gobain afetadas por eventos extremos, incluindo uma fábrica no Egito, atingida por uma inundação, e uma unidade em Esteio (RS), também inundada e posteriormente desativada. “Para nós, quando nós olhamos todos os aspectos da sustentabilidade, tem o preço da não adaptação e resiliência”, afirmou.
O executivo também apresentou iniciativas da empresa voltadas à busca de alternativas para matérias-primas e ao reaproveitamento de resíduos, como forma de reduzir riscos futuros para a produção.
Dados apoiam decisões sobre ativos
Na segunda parte da reunião, Eduardo Firak, Ph.D., CEO da Ellio Brasil, e Álvaro Vasconcellos, Ph.D., CEO da Octa Data Climate, apresentaram soluções de inteligência climática para a identificação e quantificação de riscos.
Vasconcellos explicou que a empresa utiliza dados de estações meteorológicas, modelos e satélites para avaliar como as condições climáticas podem impactar financeiramente operações e ativos. A análise permite identificar áreas mais vulneráveis e apoiar decisões sobre investimentos, adaptação e gestão de riscos.
Entre as ferramentas apresentadas está a plataforma Prisma View, que utiliza históricos climáticos e diferentes cenários futuros para avaliar a vulnerabilidade dos ativos a eventos extremos, como chuvas intensas, tempestades e inundações.
Ao final, Mariana Silveira, gestora da CMA/CBIC, destacou a importância de aproximar o GT dessas novas soluções e ampliar a discussão sobre resiliência climática e finanças verdes dentro da CBIC. “Eu acredito que a gente está vendo a agenda de resiliência climática e essa parte de Finanças Verdes evoluir bastante rápido”, afirmou.
Como próximos passos, o grupo sinalizou interesse em aprofundar o conhecimento sobre as soluções apresentadas, inclusive por meio de estudos de caso e possíveis visitas técnicas às unidades da Saint-Gobain.
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