A possível redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 dominaram um dos painéis mais movimentados do Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026, reunindo empresários, especialistas em relações trabalhistas, representantes sindicais e lideranças da indústria da construção em torno de um tema que já mobiliza o Congresso Nacional e o setor produtivo brasileiro. Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o evento acontece até 21 de maio no Distrito Anhembi, em São Paulo.
O painel “A Redução da Jornada de Trabalho e o Fim da Escala 6×1: Impactos para o Custo da Produção na Construção Civil”, colocou em discussão os efeitos econômicos, operacionais e sociais da proposta sobre um dos setores que mais empregam no país. E contou com a participação do presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan; do vice-presidente Institucional e de Compliance do Grupo Multiplan, Vander Giordino; da integrante do Conselho Jurídico do SindusCon-SP, Andrea Gardano Bucharles Giroldo e David Fratel, diretor adjunto de Gente do SindusCon-SP, que mediou o evento.
O debate ocorreu em um momento de avanço das discussões sobre redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais no ambiente político nacional. Ao longo do encontro, representantes da construção alertaram que mudanças na jornada sem ganho proporcional de produtividade podem provocar aumento expressivo dos custos da mão de obra, pressionando o preço final das obras, reduzindo a competitividade do setor e impactando diretamente programas habitacionais e investimentos em infraestrutura.
Presidente SindusCon-SP, Yorki Estefan demonstrou preocupação na medida em que estudos apontam um potencial aumento de pelo menos 5,5% no custo da construção, com a redução da jornada de trabalho como está sendo apresentada. “Estamos falando de um segmento que emprega milhões de brasileiros e opera com margens cada vez mais apertadas. A preocupação do setor não é ideológica. É econômica e operacional”, afirmou.
Segundo ele, o impacto pode atingir especialmente obras habitacionais, infraestrutura urbana e empreendimentos de interesse social. “Quando o custo sobe, toda a cadeia sente. Isso afeta desde o preço final da moradia até investimentos públicos e privados”, disse. O presidente da entidade também alertou para o risco de aumento da informalidade caso mudanças sejam implementadas sem transição gradual e sem discussão setorial, ampliando para o impacto sobre o recolhimento previdenciário.
Impacto generalizado – O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble.
Para o diretor adjunto de Gente do SindusCon-SP, David Fratel, o tema precisa ser discutido com responsabilidade e baseado em dados técnicos. “A construção civil reconhece a importância do debate sobre qualidade de vida e relações de trabalho. Mas mudanças estruturais precisam considerar produtividade, realidade econômica e capacidade de adaptação das empresas. Já que uma redução para 40 horas semanais significaria 209 horas por ano, o que teria impacto gigantesco para diversos segmentos”, afirmou.
Foto: Ruy Hizatugu FotografiaSegundo ele, o setor teme impactos diretos sobre custos e geração de empregos formais. “A construção é intensiva em mão de obra. Qualquer alteração na jornada tem efeito imediato sobre custo da produção, contratos, prazos e capacidade de investimento”, destacou.
Vice-presidente Institucional e de Compliance do Grupo Multiplan, Vander Giordino, ressaltou que boa parte dos trabalhadores ainda não compreendeu o impacto que a redução da jornada vai causar em toda a cadeia da construção, além de diversos outros setores. “Os serviços públicos, inclusive, serão impactados com o encarecimento dos contratos e licitações o que será sentido de forma mais significativa nas cidades pequenas do interior”, disse Giordino.
Ele ainda ressaltou que, “estamos vivendo um aumento do endividamento e uma diminuição da oferta de mão de obra, o que mostra um cenário desfavorável para implementação desta redução da jornada de trabalho”.
Cuidado na regulamentação – Segundo Andrea Gardano Bucharles Giroldo, membro do Conselho Jurídico do SindusCon-SP, essa implementação da redução da jornada de trabalho é uma realidade inevitável independente do cenário. “Mesmo que se considere que foi uma jogada eleitoreira, temos que considerar essa realidade e pensar em como os empregadores vão se adaptar a isso”.
Ainda de acordo com Giroldo, “o setor empresarial precisa atuar fortemente para compreender como se dará a regulamentação da escala de trabalho para que não fique refém da impossibilidade de novas contratações”.
Os participantes defenderam que o tema precisa considerar avanços tecnológicos, novos modelos produtivos e ganhos de eficiência capazes de permitir jornadas mais equilibradas no futuro.
Nesse contexto, a industrialização da construção, a digitalização dos canteiros e o aumento da produtividade foram citados como caminhos possíveis para equilibrar eficiência operacional e melhoria das condições laborais.
Ao final das discussões, prevaleceu entre os debatedores o entendimento de que é necessário a modernização das relações de trabalho e melhoria das condições para os trabalhadores, porém consideram importante que o debate seja ampliado e responsável baseado em dados reais.
Preservar o meio ambiente é investir em um futuro melhor para as próximas gerações.
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