Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores | Região Nordeste: desafios políticos e tendências econômicas para 2026

Com uma guerra em iminência no Oriente e em ano de eleições no Brasil, como fica o cenário no setor da construção? Esse foi o debate do painel “Economia e Política – O que esperar do Brasil em 2026” que encerrou o primeiro dia do Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores | Região Nordeste, realizado em Salvador nesta quinta-feira (5), evento organizado evento organizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

O encontro trouxe dois especialistas para traçar os caminhos políticos e econômicos de 2026, com mediação do presidente do Sinduscon-BA, Eduardo Bastos. Para Ieda Vasconcelos, economista da CBIC, com a guerra no Irã o preço do petróleo pode aumentar e, consequentemente, pressionar a inflação. Esse cenário pode influenciar na permanência dos juros altos no Brasil. “Esse mês temos reunião do Copom e a expectativa era de redução até o fim do ano, mas, por conta do conflito, isso pode mudar”, afirmou.

A economia nacional deve apresentar crescimento menor do que o registrado no ano passado. A previsão é de expansão de 1,8%. “A inflação pode complicar para a construção, mas ainda assim devemos ter crescimento em função dos lançamentos e vendas do ano passado. A questão eleitoral pode segurar novos investimentos, mas temos ótimas taxas de emprego que ajudam a puxar a economia”, explicou Vasconcelos.

Para a economista da CBIC, o fato de o Brasil viver o chamado “pleno emprego” e ter encerrado 2025 com o menor patamar de desemprego desde 2012 pode sustentar um ritmo mais otimista. “Hoje existem no país cerca de 6 milhões de pessoas desempregadas, mas quase 103 milhões de pessoas ocupadas.” De 2020 a 2025, a construção foi responsável pela criação de quase 900 mil empregos, embora a escassez de mão de obra ainda seja um desafio. São Paulo, Pernambuco e Bahia foram os três estados que mais geraram novas vagas no setor em 2025.

Já para o cientista político Leonardo Barreto, o cenário eleitoral de 2026 deve ser influenciado principalmente pelo ambiente econômico. Segundo ele, temas como endividamento da população, juros altos e dificuldades de acesso ao crédito devem ganhar peso no debate público.

“O grande problema hoje é o endividamento. Muitas pessoas não conseguem se refinanciar ou encontrar outras formas de financiamento. Essa é uma questão econômica importante que deve aparecer com força no debate eleitoral”, avaliou.

Barreto também destacou que o resultado das eleições terá impacto direto nas decisões econômicas a partir de 2027, especialmente na disputa pelo orçamento público e na definição de prioridades para o país. Para o setor da construção, ele aponta desafios como garantir neutralidade tributária após a reforma, avançar na agenda de industrialização e ampliar alternativas de funding para o mercado imobiliário.

Crédito foto: Rafael Caribé

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