Elas ocupam, transformam e lideram: o avanço das mulheres na construção civil brasileira  

Em um universo onde quase 90% da força de trabalho ainda é masculina, mulheres que chegaram à liderança na construção civil brasileira têm algo em comum: nenhuma esperou o espaço estar pronto, elas ocuparam. 

Para a vice-presidente de Responsabilidade Social e presidente da Comissão de Responsabilidade Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ana Cláudia Gomes, ampliar essa presença é fundamental para transformar o setor de forma estrutural. “Ampliar a presença feminina nos níveis mais altos da hierarquia é o que realmente impulsiona mudanças estruturais no setor. Quando a alta gestão passa a enxergar a mulher como parte da estratégia, e não apenas como inclusão, a transformação cultural acontece de forma mais consistente”, afirmou. 

Os dados ajudam a dimensionar o tamanho do desafio. Em 2025, a construção civil registrou saldo positivo de 86.087 novos empregos formais, segundo o Novo Caged, do Ministério do Trabalho. Desse total, 11.400 vagas foram ocupadas por mulheres, o equivalente a 13,24%, enquanto os homens responderam por 74.687 postos, ou 86,76%.  

Trajetórias que abrem caminhos 

As histórias por trás desses números mostram que a presença feminina no setor não é casual, mas resultado de trajetórias marcadas por consistência, preparo e, sobretudo, permanência em um ambiente ainda predominantemente masculino.  

Para a presidente do Sinduscon Joinville, Ana Rita Vieira, a construção civil sempre fez parte de sua vida. Filha de engenheira, cresceu em meio a canteiros de obras e nunca enxergou o setor como um espaço inacessível. “Nunca vi a construção como um ambiente onde as mulheres não pudessem estar. Para mim, ocupar esse espaço sempre foi algo natural”, afirmou. 

Outras trajetórias, no entanto, foram marcadas por desafios mais explícitos. A presidente do Sinduscon-SF, Elissandra Candido Alves Silva, destaca que a ascensão profissional ainda exige esforço redobrado. “Minha trajetória foi construída com muito preparo e consistência, mas também enfrentando barreiras que ainda persistem, como a necessidade de provar competência e quebrar paradigmas culturais”, disse. 

Quando a diversidade melhora as decisões 

À medida que mais mulheres passam a ocupar posições estratégicas, cresce também a percepção de que a diversidade impacta diretamente a qualidade das decisões no setor. 

Para Maria Eugênia Fornea, presidente da Ademi-PR, ampliar a presença feminina não é apenas uma questão de representatividade, mas de eficiência. “Quando mulheres ocupam posições de liderança, os debates ganham mais profundidade, mais rigor técnico e uma visão mais integrada dos problemas”, afirmou. 

Essa visão dialoga com um momento de transformação da própria construção civil, cada vez mais pressionada a inovar, incorporar tecnologia e buscar soluções mais eficientes. Nesse contexto, a pluralidade de perspectivas deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade. 

Entre avanços e desafios 

Apesar dos avanços, o setor ainda convive com barreiras que limitam a participação feminina, especialmente nos espaços de decisão. A mudança, embora em curso, ainda acontece em ritmo gradual. 

Com mais de quatro décadas de atuação, a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, acompanha essa evolução de perto. “Gostaria muito de ver crescer mais a participação feminina na construção, que apesar dos avanços ainda é muito baixa”, afirmou. 

Ocupação, permanência e legado 

Mais do que conquistar espaço, as mulheres que hoje lideram na construção civil compartilham um compromisso comum: garantir que esse avanço seja contínuo e coletivo. 

“Não espere se sentir totalmente pronta para começar. A confiança se constrói ao longo do caminho, com prática e persistência”, afirmou Ana Rita Vieira. 

Para Elissandra, o movimento precisa seguir em expansão. “Cada espaço conquistado abre caminho para outras mulheres. Temos a responsabilidade de avançar ainda mais e ampliar essas oportunidades”, destacou. 

“Para as mulheres que trabalham na construção minha mensagem é persistência, não podemos desistir. Nós estamos conseguindo nossos lugares pela nossa competência e é assim que chegamos lá. Somos minoria, mas somos reconhecidas no setor”, disse a vice-presidente da CBIC, Maria Elizabeth Nascimento. 

 

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