CBIC abre agenda pós-COP30 com workshop e reforça estratégia nacional para construção em madeira 

A realização do Workshop Técnico – Métodos Construtivos em Madeira no Brasil, nesta terça-feira (25), marcou o primeiro movimento público da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) após a COP30. O encontro, promovido em Belém em parceria com a FIEPA, Sinduscon-PA, Instituto Amazônia +21 e SENAI, reuniu lideranças do setor produtivo, especialistas e representantes da indústria para discutir como a madeira engenheirada pode impulsionar inovação, produtividade e sustentabilidade na construção civil brasileira. 

O evento reforçou a centralidade da Amazônia no debate sobre novos métodos construtivos e mobilizou vozes de diferentes elos da cadeia, da indústria florestal ao mercado imobiliário, passando pela engenharia, políticas públicas e habitação de interesse social. 

CBIC defende integração da madeira à agenda permanente do setor 

Na abertura, o vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CBIC, Nilson Sarti, destacou que o setor precisa transformar o legado da COP30 em políticas de longo prazo. Segundo ele, a construção civil brasileira terá de ampliar o uso de madeira certificada para cumprir metas climáticas e elevar a eficiência produtiva. 

“O pós-COP não pode ser desperdiçado. O Brasil terá de incorporar cada vez mais a madeira para reduzir emissões e avançar na industrialização”, afirmou. Sarti reforçou que países como Áustria, Suécia e França já exigem percentuais mínimos de madeira em obras públicas. “Temos um belíssimo projeto para avançar, especialmente na Amazônia, e isso precisa entrar no PDDU, no código de obras e nas políticas públicas locais e nacionais.” 

Ele também reconheceu o papel da FIEPA, do Sinduscon-PA e do Instituto Amazônia +21 na articulação regional durante a COP30, ressaltando que o Pará “realizou um trabalho impecável” e tem condições únicas para liderar essa agenda no país. 

Amazônia é protagonista natural da cadeia da madeira 

Pela FIEPA, Derek Martins, presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da entidade, destacou os ativos já existentes no estado. “O Pará concentra 70% das concessões florestais do país e grande parte das áreas certificadas. A madeira amazônica carrega uma mensagem de conservação, rastreabilidade e desenvolvimento local”, disse. Ele lembrou que a floresta em pé gera benefícios ambientais e econômicos, desde empregos até serviços ecossistêmicos. 

O diretor de Habitação de Interesse Social do Sinduscon-PA, Ubirajara Marques, ressaltou que o tema ganha relevância especial por ocorrer logo após a conferência climática. “A madeira é uma alternativa real para descarbonizar a construção civil e reduzir custos, sobretudo na habitação de interesse social. Mas precisamos resolver desafios de legalização, escala e acesso a materiais certificados”, afirmou. Ele também destacou a forte tradição amazônica no uso da madeira, lembrando que “Belém flutua sobre estacas de madeira há séculos, prova da durabilidade do material”. 

O evento contou com a presença de Emmanuel Athayde, diretor adjunto do Sinduscon-PA, que defendeu a madeira como vetor de desenvolvimento. “Não podemos olhar a madeira apenas como piso ou estaca; ela é um ativo capaz de estabilizar o clima e impulsionar a economia. Temos mecanismos de governança, certificações e rastreabilidade, agora precisamos romper paradigmas e ampliar seu uso na construção”, afirmou. 

Setor privado apresenta investimentos e mudança de cultura 

O CEO da Noah | Wood Building Design, Nico Theodorakis, apresentou os avanços da madeira engenheirada no mercado imobiliário brasileiro. “Já reduzimos em 50% o tempo de obra e estamos trazendo uma nova lógica industrial para a construção. A madeira permite velocidade, precisão e eficiência que o método tradicional não entrega”, disse. Ele destacou que a empresa já reúne mais de R$ 450 milhões em investimentos e projeta forte expansão. “O Brasil tem potencial para se tornar líder global. Estamos vivendo a inflexão dessa curva agora.” 

A diretora comercial da Urbem, Ana Belizario, reforçou que a industrialização é um caminho inevitável. “A madeira engenheirada combina sustentabilidade, tecnologia e beleza. Os mercados internacionais mostram que é possível ganhar escala com qualidade e custo competitivo”, afirmou. Ela também destacou o potencial de integração entre florestas plantadas e madeira nativa, ampliando possibilidades estéticas e produtivas. “O Brasil pode ensinar ao mundo como unir bioeconomia e construção civil.” 

Morar Amazônico integra inovação, inclusão e desenvolvimento 

Encerrando as apresentações, Juliana Costa, arquiteta e gestora do projeto Morar Amazônico pelo Instituto Amazônia +21, apresentou a prova de conceito que está sendo implementada na Vila da Barca, em Belém. “Estamos construindo oito casas, dois equipamentos urbanos e uma praça em madeira engenheirada, mas o foco é a escala. Trata-se de um projeto de transformação social e fortalecimento da cadeia produtiva”, afirmou. 

Juliana explicou que o estudo analítico da cadeia de valor, realizado com a participação de diversos atores regionais, será fundamental para identificar gargalos e orientar investimentos futuros. “Queremos que a população local participe do desenvolvimento tecnológico, combinando conhecimento tradicional e inovação. A floresta em pé precisa gerar emprego, renda e habitação digna.” 

Construção civil mira novo ciclo de desenvolvimento sustentável 

Ao final do evento, Nilson Sarti reforçou que a CBIC seguirá articulando os desdobramentos do workshop. Ele destacou que a madeira deve ocupar espaço também em escolas, centros comunitários, equipamentos públicos e soluções urbanas, e que o setor privado já demonstra prontidão para escalar projetos. 

“A COP30 mostrou ao mundo a força da Amazônia. Agora, precisamos transformar esse ambiente em investimentos, inovação e políticas permanentes. A construção civil brasileira está preparada, e a CBIC estará presente em todas essas frentes”, concluiu. 

 

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