José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da CBIC
O Fundo de Garantia virou outra coisa.
E pouca gente está disposta a dizer isso com clareza.
O FGTS não foi criado para financiar consumo.
Não foi criado para resolver o caixa do momento.
Não foi criado para aliviar pressão de curto prazo.
Ele foi criado para gerar emprego.
Formar patrimônio.
Proteger o trabalhador ao longo da vida.
Na década de 60, Roberto Campos fez uma escolha estrutural: substituir a estabilidade no emprego privado por algo mais inteligente — estabilidade via geração de empregos, especialmente através de habitação e saneamento.
Era uma lógica de futuro.
Hoje, estamos fazendo o contrário.
Transformamos um instrumento de construção de patrimônio em um mecanismo de consumo.
Saque para gastar.
Saque para trocar dívida.
Saque para complementar renda.
E aqui está o ponto que quase ninguém enfrenta:
👉 quando você troca patrimônio por consumo, você destrói segurança
Simples assim.
O FGTS é patrimônio do trabalhador.
Não é renda.
Não é fluxo de caixa.
Não é extensão do salário.
É uma reserva para momentos de dificuldade.
É um instrumento para melhorar de vida.
É um legado para os filhos.
E estamos consumindo isso.
O argumento é sempre o mesmo: “é necessário para a economia”.
Mas essa é uma meia verdade.
Consumo gera efeito rápido.
Aparece na hora.
Ajuda no curto prazo.
Mas acaba.
Investimento não.
Quando você constrói uma casa, o efeito não termina na obra.
Ele continua por anos — na economia e na vida das pessoas.
Isso é estrutural.
Isso é desenvolvimento.
Mas exige tempo.
E tempo não combina com política.
Por isso o desvio acontece.
Não é técnico.
É decisão de curto prazo.
Todos os governos caem nisso.
Sem exceção.
Porque consumo desnecessário resolve o hoje.
Mas destrói o amanhã.
E tem mais.
Estamos ignorando uma oportunidade gigantesca.
O FGTS poderia ser a base de uma aposentadoria complementar no Brasil.
O mecanismo já existe:
As empresas depositam, mês a mês, ao longo de toda a vida do trabalhador.
Se isso fosse capitalizado e protegido de saques recorrentes, estaríamos formando uma reserva real para o futuro.
Uma segurança concreta.
Mas estamos fazendo o oposto.
Em vez de acumular, estamos consumindo.
Em vez de proteger, estamos fragilizando.
E isso tem consequência.
Silenciosa.
Progressiva.
Irreversível para muitos.
No final, o trabalhador chega sem patrimônio.
Sem reserva.
Sem proteção.
E o país perde junto.
Essa não é uma discussão técnica.
É uma escolha de modelo.
➡️ usar o FGTS para aliviar o presente
ou
➡️ usar o FGTS para construir o futuro
O fundo foi criado para construir segurança ao longo da vida.
Cada vez que desviamos isso, estamos — silenciosamente — retirando proteção do trabalhador.
E quanto mais adiarmos esse debate, maior será o custo.
Para o trabalhador.
E para o país.
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