Seconci DF: trabalhadores da construção concluem ciclo de alfabetização e ensino fundamental dentro de canteiro de obras 

Agosto, mês em que é celebrado o Dia do Estudante (11/8), ficará marcado na vida de 14 trabalhadores da construção civil. Na última sexta-feira (21/8), eles participaram da cerimônia de formatura do Programa de Alfabetização do Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF), realizada no canteiro de obras da CONBRAL, no Guará II, em Brasília. A solenidade marcou a conclusão de mais uma etapa de aprendizagem conciliada à rotina profissional.

A iniciativa integra o trabalho desenvolvido pelo Seconci-DF para ampliar o acesso à educação entre os profissionais da construção civil. As aulas acontecem dentro dos próprios canteiros, facilitando a participação dos trabalhadores e aproximando o processo de aprendizagem da realidade de quem passa boa parte do dia no ambiente de obras.

A escolha de agosto para celebrar a conclusão desse ciclo ganha um significado especial justamente por coincidir com o mês dedicado aos estudantes. Para os trabalhadores da CONBRAL, a data representa a oportunidade de reconhecer o esforço de quem divide o tempo entre as atividades profissionais e a sala de aula e decidiu investir na própria formação.

“Concluir os estudos enquanto se concilia uma rotina de trabalho é uma demonstração de determinação e de que nunca é tarde para buscar novos conhecimentos. Só a educação pode transformar o país, pode transformar a alma de cada um. É indiscutível uma análise que é a educação o grande início de qualquer transformação no ser humano. Qualquer tipo de superação passa por um processo educativo”, diz Geórgia Grace, Gerente Geral do Seconci-DF.

Para a CONBRAL, oferecer condições para que os trabalhadores possam estudar durante a jornada de trabalho também faz parte de uma visão de valorização das pessoas que constroem os empreendimentos. “Acreditamos que investir nos nossos colaboradores é tão importante quanto investir na própria obra. Criar condições para que possam estudar, adquirir novos conhecimentos e avançar em sua formação é uma forma de reconhecer o valor de cada profissional.”, afirma Paulo Muniz, diretor da CONBRAL. “Essa formatura representa uma conquista para eles e para toda a nossa empresa. Só a educação pode mudar o país. Que esta conquista para os nossos operários sirva de exemplo para muitos outros colaboradores”, finaliza.

Educação que transforma

O pedreiro Erasmo Carlos Souza Coelho, de 57 anos, foi um dos trabalhadores que concluiu mais uma etapa dos estudos dentro do canteiro de obras. Ele conta que, no início, teve muita dificuldade, mas que a experiência foi transformadora. “Quando surgiu essa oportunidade de estudar, eu soube aproveitar. Espero continuar com os meus estudos daqui para frente”, conta.

Outro trabalhador que também concluiu os estudos foi Pedro Antônio Oliveira Filho, de 51 anos, que trabalha na área da limpeza. Quando iniciou na escola, sua principal dificuldade era com a escrita, mas, com a ajuda das aulas, já conseguiu aperfeiçoar a habilidade. “É muito bom você trabalhar em um lugar que oferece esse tipo de oportunidade. A professora tem muita paciência com a gente e, graças a ela, estou conseguindo superar as dificuldades que eu tinha, que eram principalmente de trocar uma letra por outra”.

A professora Vera Lúcia da Silva acompanhou de perto cada etapa do processo de aprendizagem dos trabalhadores e celebrou com eles a conquista. Para ela, o momento da formatura também representa o resultado da dedicação dos alunos, que conciliam as aulas com a rotina de trabalho pesado no canteiro de obras. “Eu estou muito realizada e fico muito feliz por eles, pela vontade que eles têm de aprender, porque não é fácil, principalmente para eles que trabalham pesado. Mesmo com os problemas do dia a dia, eles esquecem de tudo dentro da sala de aula. A gente brinca, a gente se diverte e aprende também”, afirma.

Ao longo das aulas, a professora viu de perto a evolução dos alunos, especialmente no aprendizado da leitura e da escrita. Segundo ela, alguns chegaram à escola conhecendo as letras, mas ainda sem conseguir ler, e foram avançando aos poucos, com exercícios e incentivo. “Eles aprenderam muito. Eu percebo que na parte de matemática eles entendem mais rápido, acredito que pelo o dia a dia, de precisar pagar uma conta ou resolver outras coisas”, conta. “O português é um pouco mais devagar, mas muitos deles já melhoraram bastante a leitura e a escrita. É um trabalho diário em que eles vão se superando a cada dia”.

Educação nos canteiros de obras

Em 2024, de acordo com levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 34% dos trabalhadores entrevistados no estudo sobre o perfil da mão de obra da construção civil possuem o Ensino Fundamental incompleto, enquanto 2% são analfabetos. Nesse cenário, levar a educação para dentro do canteiro representa uma alternativa concreta para ampliar a escolaridade e criar novas oportunidades para os profissionais.

Desde o início da década de 1990, mais de 13,5 mil trabalhadores de empresas parceiras do Seconci-DF já tiveram acesso às classes de alfabetização e aos segmentos do Ensino Fundamental oferecidos pela entidade.

A parceria com as empresas é fundamental para a continuidade do projeto. Ao disponibilizar espaço e incentivar a participação dos colaboradores, as construtoras contribuem para transformar o canteiro em um ambiente que, além de gerar emprego, também estimula desenvolvimento, qualificação e novas perspectivas para os trabalhadores.

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