O próximo colega de trabalho de um pedreiro, em um canteiro de obras, pode não ser outro profissional equipado com itens de proteção individual. Pode ser um drone, um robô sobre quatro patas ou, em um futuro cada vez menos distante, uma máquina com formas mais humanas, capaz de executar tarefas complexas. A imagem, que antes poderia parecer distante, já faz parte da realidade, segundo Ronny Alison Yu, analista de negócios do Itaipu Parquetec.
Ao abrir o painel “Robôs nos Canteiros: o que já é realidade e o que vem pela frente”, no Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Alison Yu afirmou que esse cenário não se trata de algo previsto apenas para daqui a 20 ou 30 anos, mas de tecnologias que já existem, estão em operação em diferentes setores e se aproximam cada vez mais dos canteiros de obras.
Vice-presidente de Relações Trabalhistas e presidente da Comissão de Política de Relações Trabalhistas, Ricardo Dias Michelon é categórico: o futuro robotizado da construção já começou e o empresário precisa entender que esse movimento não elimina o papel das pessoas, mas transforma o setor.
“O pedreiro de amanhã vai ser, muito provavelmente, um operador de software”, afirmou Michelon, ao mediar o debate. Para ele, a reflexão não está apenas em saber quando um robô chegará ao canteiro, mas em preparar empresas e trabalhadores para essa transição. A pergunta essencial, segundo ele, é: qual ‘mindset’ será necessário para lidar com o que vem pela frente.
A partir dessa provocação, os painelistas Alison Yu e Rafael Pileggi, professor titular da Universidade de São Paulo e engenheiro de materiais, defenderam que o primeiro passo não é comprar um robô, mas digitalizar a operação.
Alison Yu destacou que, para uma empresa comum, não faz sentido acordar no dia seguinte perguntando quanto custa um equipamento como o Spot, robô quadrúpede já utilizado em atividades de inspeção – o qual ele representa no Brasil. Antes disso, é preciso organizar processos, dados e ter um direcionamento. “Sem essa base, o empresário está correndo o risco de ser apenas uma empresa analógica tentando operar uma tecnologia avançada”, disse.
“Quem aprender a usar dados vai sair na frente”, resumiu. Segundo ele, a tecnologia já resolve boa parte dos desafios, mas ainda não é suficiente sozinha. “A questão não é deixar a construção menos humana, mas mais eficiente e mais inteligente”, afirmou.
Ele destaca que a robotização não é apenas como uma aposta tecnológica, mas uma resposta a problemas estruturais da construção. Alison Yu lembrou que a robótica costuma atuar especialmente em três frentes: substituir trabalhos repetitivos, cansativos e perigosos; coletar dados com precisão; e apoiar a tomada de decisão a partir de informações que, muitas vezes, exigiriam disciplina e constância difíceis de manter em rotinas manuais.
Segundo Rafael Pileggi, o avanço nos últimos anos é impressionante. E não só na área mencionada por Alison You, mas também em técnicas de manufatura e deposição camada a camada. “Estou nessa seara há 15 anos. Saiu praticamente do zero há 20 anos e hoje já está nos canteiros, em estágio bastante avançado”, disse.
Foto: Ruy Hizatugu FotografiaSetor ainda conservador
Apesar dos avanços, os palestrantes reconheceram que a construção civil tem uma característica conservadora quando o assunto é tecnologia. Por isso, na avaliação deles, a robotização exige mais do que investimento em máquinas: exige mudança cultural.
Para empresários, o conselho dos painelistas é: experimente, crie ambientes de teste, treine pessoas e organize a empresa para o mundo digital. Pileggi defendeu que as companhias comecem a se movimentar desde já, ainda que em pequenos passos. “A empresa precisa se organizar para esse mundo digital”, afirmou.
Para Michelon, a robotização já deixou de ser apenas uma tendência. “É um caminho natural. É uma tendência que começa a deixar de ser tendência e começa a virar realidade. Então, acho que a gente está se preparando para um novo setor. E essa provocação que a gente trouxe nesse painel sobre a robotização tem como objetivo justamente provocar o empresário, provocar o tomador de decisão a se organizar e se preparar para essa nova condição da construção civil, que com certeza passa pelo tema da robotização”, afirmou Michelon.
O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Institucional do Sistema Indústria; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer e do Confea Crea – SP; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi e Sinaenco, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble.
O tema tem interface com o projeto “Monitoramento de dados de Saúde e Segurança no Trabalho e Relações Trabalhistas e iniciativas de prevenção de acidentes e valorização do trabalhador”, da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi).
The post Pedreiro do futuro pode ter robô como colega de trabalho appeared first on CBIC – Câmara Brasileira da Industria da Construção.
















