Petróleo mais caro eleva custo da construção e abril tem a maior alta no mês desde 2011

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) aumentou 1% em abril, maior alta para esse mês desde 2011. Também é a maior elevação para o indicador, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), desde junho de 2022, período que marcou uma retomada das atividades após a pandemia de Covid-19. Os dados de abril/2026 mostram que o custo da construção ficou maior do que a inflação oficial do período (IPCA), medida pelo IBGE.

Todos os componentes do INCC/FGV registraram aumento em abril. O custo de materiais e equipamentos cresceu 1,38%, enquanto serviços tiveram crescimento de 1,12% e mão de obra, de 0,52%.

“Esses aumentos elevados no custo dos insumos não eram aguardados, e eles se juntam a vários outros desafios que a Construção Civil vivencia como o alto patamar de juros e a dificuldade de contratação de mão de obra não qualificada e qualificada. É uma situação preocupante e que já  contribuiu para o setor a reduzir a sua expectativa de crescimento para 1,2% em 2026”, disse a economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos.

As maiores contribuições para essa alta, conforme a FGV, foram da massa de concreto (4,09%), tubos e conexões de PVC (4,82%, cimento Portland comum (3,73%) e elevador (0,83%). A CBIC considera que esses aumentos preocupam e acontecem diante do cenário caracterizado pelos conflitos no Oriente Médio e a disparada no preço do petróleo e derivados.  Este contexto impacta não só produtos que têm a commodity como matéria-prima, mas reflete no encarecimento do custo do frete em todas as etapas da cadeia produtiva.

No acumulado dos últimos 12 meses, o INCC registrou 6,35% de alta, enquanto o IPCA registrou 4,39% no mesmo período. Os aumentos dos preços de materiais de construção acontecem em cima de uma base já elevada. Desde 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, o país passou por uma forte elevação de custos no setor. Considerando a variação acumulada de janeiro/20 até abril/26, todos os itens componentes do INCC superam a elevação observada pelo IPCA (42,78%). Nesse período o INCC total aumentou 62,15%, o custo com materiais e equipamentos cresceu 76,72%, o da mão de obra apresentou elevação de 58,79% e o custo com os serviços saltou 46,24%.

Dentre os fatores positivos, que indicam crescimento para o setor da construção em 2026, estão o volume recorde de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); as medidas de incentivo ao Minha Casa, Minha Vida, com aumento dos tetos de renda e valores máximos dos imóveis; investimentos em infraestrutura estimados em R$ 300 bilhões; e mercado de trabalho resiliente, com baixa taxa de desemprego.

Por outro lado, a redução do ritmo de corte da taxa de juros, a dificuldade de contratação de mão de obra especializada e não especializada, somada ao aumento dos custos, endividamento das famílias e expectativa do fim da escala 6×1, podem reduzir o nível de atividade do setor.

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