Setor deve acelerar crescimento com início do ciclo de queda dos juros e avanço dos investimentos em infraestrutura
O setor da construção brasileiro deve apresentar, em 2026, um desempenho superior ao registrado em 2025. A expectativa é sustentada pela combinação de um conjunto de fatores: o início do ciclo de redução da taxa de juros, pelo orçamento recorde para habitação financiada pelo FGTS, novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida, a implementação do novo modelo de financiamento habitacional com recursos da poupança e os investimentos em infraestrutura.
Nesse cenário, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 2% para o setor nesse ano, o que corresponderá ao terceiro ano consecutivo de alta. A avaliação foi apresentada durante a divulgação do desempenho econômico da construção em 2025 e as perspectivas para 2026, durante coletiva de imprensa realizada online na manhã desta quarta-feira (11/02).
Após crescer cerca de 1,3% no ano passado, a construção entrou em 2026 com expectativa mais positiva. Mas isso não significa ausência de desafios. A sondagem da construção, que é realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o apoio da CBIC, demonstra que a elevada carga tributária, os juros altos e o alto custo da mão de obra não qualificada e qualificada são os principais problemas enfrentados pelo setor.
“A carga tributária passou a ser a principal preocupação do empresário da construção, sobretudo diante das incertezas sobre os impactos da Reforma Tributária e das mudanças que ainda serão implementadas no setor, envolvendo obrigações acessórias, modelos de tributação e possíveis alterações nos incentivos fiscais. Além disso, os juros elevados continuam afetando as operações do setor e a escassez de mão de obra qualificada também segue como um desafio para as empresas”, afirmou o presidente executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho.
Entre os programas que reforçam os sinais mais positivos para a construção está o Reforma Casa Brasil, que prevê investimentos da ordem de R$ 40 bilhões. Soma-se a isso as mudanças no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que ampliou o valor dos imóveis passíveis de financiamento e deve aumentar a disponibilidade de crédito. “A expectativa é de um incremento no crédito imobiliário, com impactos positivos para o setor” destaca a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos.
O desempenho de 2025 refletiu um ambiente monetário ainda restritivo. De acordo com dados do Produto Interno Bruto (PIB), a construção cresceu 1,7% até o terceiro trimestre de 2025, na comparação com igual período do ano anterior. Em 2024, o avanço havia sido de 4,2% frente a 2023, evidenciando a desaceleração do setor ao longo do último ano.
Geração de emprego – Apesar do ritmo mais moderado, alguns indicadores permaneceram positivos. O consumo de cimento alcançou 66,9 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 3,68% em relação a 2024. Por outro lado, a sondagem da construção apontou redução da confiança dos empresários, refletindo as condições gerais da economia.
“Quando essa baixa confiança se prolonga, ela aumenta a preocupação dos empresários e acaba se refletindo na redução da produção, do emprego e da atividade do setor. Diferentemente de uma queda pontual, quando a perda de confiança se torna mais duradoura, ela passa a afetar de forma mais intensa as decisões empresariais, como observado no ano passado”, afirmou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
Os custos da construção seguiram pressionando o setor. Em 2025, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, acumulou alta de 5,92%, acima da inflação oficial medida pelo IPCA, de 4,26%. O principal fator foi a elevação do custo da mão de obra, que avançou 8,98%. Ainda assim, o setor manteve crescimento e geração de empregos.
No mercado de trabalho, a construção civil encerrou 2025 com 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, aumento de 3,08% em relação ao final de 2024. O segmento de construção de edifícios concentrou o maior contingente de empregados e registrou o maior incremento no número de trabalhadores formais. Entre 2020 e 2025, o setor foi responsável pela criação de 886.709 empregos com carteira assinada.
O segmento de infraestrutura também contribuiu para o crescimento da atividade. Em 2025, conforme estimativas realizadas pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) os investimentos podem ter alcançado R$ 280 bilhões, cerca de 3% acima do registrado em 2024, com predominância do capital privado, responsável por 84% do total.
The post Construção civil projeta 2026 mais positivo que 2025, impulsionado por crédito e investimentos appeared first on CBIC – Câmara Brasileira da Industria da Construção.
















