O cenário atual do mercado imobiliário brasileiro, marcado pela superação das expectativas mesmo diante de taxas de juros elevadas, foi o tema da primeira Rodada de Negócios de Mercado Imobiliário do ano. Realizado nesta terça-feira (3) pela Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o encontro on-line reuniu especialistas e lideranças para analisar o equilíbrio entre os desafios do setor.
Na abertura do encontro, Ely Wertheim, vice-presidente da área da Indústria Imobiliária da CBIC e presidente executivo do Secovi-SP, destacou que, embora o mercado preveja uma queda na taxa Selic para cerca de 12% a 13% até dezembro, o cenário ainda exige cautela.
“O setor produtivo como o nosso, com uma taxa de juros alta, por mais que a gente tenha sido resiliente nos últimos dois anos, com essa dose de remédio por mais tempo, com certeza vamos ter um desafio com relação à questão dos juros ainda altos”, afirmou Wertheim.
Reforma Tributária e Estratégias Jurídicas
O impacto das recentes alterações legislativas foi detalhado por Rodrigo Dias, membro dos Conselhos Jurídicos do SindusCon-SP e Secovi-SP. Entre os pontos de atenção, ele citou a nova tributação sobre dividendos e o de altas rendas.
Fernando Guedes, presidente executivo da CBIC, complementou a discussão sugerindo que as entidades estaduais podem capitanear ações estratégicas para fortalecer o setor. “As entidades estaduais poderiam capitanear, eventualmente, as ações, por dois motivos. Primeiro, que você pulveriza a discussão, o que estrategicamente pode ser interessante. E segundo, que você fortalece a atuação das entidades estaduais”, disse.
Balanço e Desempenho do Mercado
Os indicadores apresentados pelo economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, revelaram um setor em expansão, com crescimento de 8,4% nos lançamentos entre janeiro e setembro do ano passado.
“O mercado vinha resiliente, nacionalmente falando, mesmo com a taxa de juros num patamar de 15% ao ano. São 433 mil unidades lançadas nos últimos 12 meses e 420 mil unidades vendidas”, destacou Petrucci.
Financiamento e Minha Casa, Minha Vida
O financiamento imobiliário alcançou R$ 324 bilhões no último ano, e a projeção para 2026 é de um crescimento para R$ 375 bilhões. Luis Fernando Mendes, assessor técnico da CBIC, ressaltou o recorde de 625 mil unidades contratadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida em 2025.
“É muito provável que de fato em 2026 a gente consiga um recorde em cima do recorde de 2025, não só porque o orçamento está maior, mas também porque o governo cresceu o orçamento de desconto”, afirmou Mendes.
Além das análises técnicas, o encontro promoveu um amplo espaço de diálogo entre associados de diversas regiões do país. Durante a rodada de debates, representantes de diferentes estados compartilharam suas percepções, relatando o comportamento do mercado em suas localidades e trocando experiências sobre os desafios específicos de cada região.
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