Presidente da CBIC fala sobre o programa Minha Casa, Minha Vida, os investimentos em infraestrutura e os desafios do novo sistema tributário
O setor da construção encerrou 2025 com sinais de enfraquecimento em alguns indicadores, mas as projeções para este ano indicam um movimento gradual de recomposição da atividade. A ampliação dos instrumentos de financiamento habitacional, a oferta de crédito específico para reformas e a consolidação da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) devem contribuir para estimular a demanda e ampliar o fôlego do setor. Essa é a avaliação do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia.
Em entrevista à Agência CBIC, Correia explicou que, apesar das elevadas taxas de juros, o ambiente permanece favorável para a construção. Segundo ele, esse cenário é sustentado principalmente pelas obras de infraestrutura e pela continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida, um dos principais motores da atividade do setor. O ano de 2026, no entanto, também traz desafios. A implementação das primeiras medidas da Reforma Tributária, as instabilidades no cenário global e no cenário político brasileiro podem afetar novas contratações. Confira abaixo a íntegra da conversa.
Agência CBIC: Ainda não temos dados consolidados sobre o desempenho da construção em 2025, que serão divulgados pela CBIC em fevereiro, mas como avalia o ano do setor?
Foi um ano positivo para a construção brasileira. Embora pudesse ter sido melhor, o setor segue como um dos principais motores da atividade econômica do país e responde pela geração de milhares de empregos. Houve avanços positivos no financiamento imobiliário, que devem começar a impactar o setor a partir deste ano. Importante ressaltar que as novidades trarão benefícios para diferentes perfis. O período foi marcado pelo reajuste do teto dos imóveis das faixas 1 e 2 do MCMV, pela criação de uma nova faixa destinada à classe média e pela ampliação do teto de imóveis financiáveis pelo SFH, com impactos também sobre a classe média e parte do segmento de alto padrão. Assim, iniciamos o ano com uma avaliação positiva das políticas de financiamento habitacional, embora ainda existam questões estruturais a serem enfrentadas para fortalecer a indústria da construção e impulsionar o desenvolvimento do país como um todo.
Agência CBIC: A taxa de juros é uma dessas questões, correto? Assim como a necessidade de fortalecer a infraestrutura brasileira?
Sim, a taxa de juros é um dos problemas estruturais que o país precisa enfrentar. Os juros em níveis elevados pesam bastante sobre a construção, porque encarecem o financiamento, tanto para quem produz quanto para quem compra, e acabam retardando decisões importantes de investimento. Uma redução consistente das taxas de juros é fundamental para destravar investimentos e dar mais previsibilidade ao setor. Felizmente, a perspectiva para 2026 é de terminar o ano com uma taxa Selic menor, então vamos torcer e acompanhar.
No que diz respeito à infraestrutura, esse é um tema prioritário para a CBIC, tanto que lançamos em dezembro o Pacto Brasil pela Infraestrutura, que é uma iniciativa que reúne 11 entidades. Os investimentos em infraestrutura somam 35,5% do PIB brasileiro, muito abaixo da média global, que está na faixa de 60%. A expansão de centros urbanos de médio porte aumenta a necessidade de intervenções que vão desde melhorias na malha viária e na mobilidade até a implantação de novos bairros e projetos imobiliários. Temos que estar preparados para atender essa demanda.
Agência CBIC: Uma das novidades deste ano é a entrada em vigor de dispositivos aprovados na Reforma Tributária. Como o setor está se preparando para se ajustar ao novo marco regulatório?
A reforma é positiva, mas ela traz complexidade e incerteza administrativa para construtoras e incorporadoras. Isso porque a construção precisará se adaptar, o que envolve a atualização de contratos, a renegociação com clientes e fornecedores, a adoção de novas formas de precificação dos empreendimentos e a reorganização da gestão do fluxo de caixa. A CBIC acompanhou todo o debate da Reforma Tributária e manteve amplo diálogo com o governo e com outras entidades representativas. Ainda assim, persistem incertezas. Um exemplo é qual será a alíquota do Regime Especial de Tributação da Incorporação Imobiliária (RET), criado em 2004 para reduzir a complexidade tributária enfrentada por construtoras e incorporadoras. Esse modelo trouxe maior estabilidade ao setor, por oferecer previsibilidade financeira e permitir um planejamento mais consistente de obras e investimentos, mas será extinto em 2028.
Um avanço importante da reforma é a criação de incentivos específicos para projetos de recuperação de áreas históricas. Empreendimentos destinados à revitalização desses espaços contarão com carga tributária reduzida nas operações de venda e de locação. A medida busca estimular o desenvolvimento urbano sustentável e a preservação do patrimônio cultural.
The post Construção projeta retomada gradual em 2026, apesar de juros elevados appeared first on CBIC – Câmara Brasileira da Industria da Construção.
















