Fumos Metálicos: riscos invisíveis na atividade de soldagem

Os chamados fumos metálicos são aerossóis tecnicamente definidos como partículas sólidas finas, suspensas no ar, geradas pela condensação de vapores de metal. Uma das suas formas mais comuns e perigosas no ambiente industrial são os fumos de solda, que surgem especificamente no contexto da soldagem. 

Durante este processo, o calor intenso do arco elétrico ou da chama vaporiza a extremidade do consumível e partes do metal de base. Esse vapor, ao entrar em contato com o ar mais frio, se condensa e oxida rapidamente, formando as partículas ultrafinas que compõem a pluma de fumos. 

Diante isso, deve-se ter muito cuidado nesta atividade pois o controle eficaz dos riscos dos fumos de solda basicamente se faz pela integração de 3 pilares principais: 

Controles de engenharia (EPCs): semprepriorizar a instalação de sistemas de ventilação e exaustão localizada para capturar os fumos diretamente na fonte, antes que atinjam a zona respiratória do trabalhador. 

Medidas administrativas: implementar um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) robusto, que inclua monitoramento da exposição, treinamento da equipe e um Programa de Controle Médico (PCMSO) específico, sempre conhecendo por exemplo o tipo de eletrodo que será usado, se for uma solda elétrica. 

Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): além do elmo especifico para barrar a radiação não ionizante, deve ser fornecido o respirador adequado (mínimo PFF2) e garantir seu uso, a manutenção e a troca de filtros corretamente. 

A composição química exata dos fumos de solda é complexa e varia significativamente conforme o processo de soldagem e os materiais utilizados. Os principais agentes nocivos identificados normalmente incluem metais como o Manganês (Mn), Cromo (Cr), com destaque para o Cromo Hexavalente (Cr(VI)), Níquel (Ni), Ferro (Fe), Cobre (Cu), Alumínio (Al), Zinco (Zn), Chumbo (Pb) e Cádmio (Cd). 

Já os gases produzidos na atividade de solda podem ser Ozônio (O3), formado pela interação da Radiação Ultravioleta com o Oxigênio, Óxidos de Nitrogênio (NOx) e Monóxido de Carbono (CO). 

A NR1 estabelece a obrigatoriedade do programa de gerenciamento de riscos (PGR), e para fumos de solda, isso significa que a empresa deve identificar o perigo, avaliar o risco e, crucialmente, criar um plano de ação com medidas de controle para eliminar ou reduzir a exposição. Portanto conhecer bem sobre esta atividade. 

A NR 06, que regulamenta o uso de Equipamentos de Proteção Individual, repassa ao empregador a responsabilidade pela correta seleção do respirador, com o filtro apropriado para partículas. A atenção nesse sentido é que esta é uma das últimas etapas na hierarquia de controle, devendo ser feita quando a exposição não pode ser eliminada na fonte. 

A NR9 define os requisitos para a avaliação das exposições ocupacionais a agentes químicos. É a norma que orienta como devem ser feitas as avaliações qualitativas e quantitativas no ambiente de trabalho para determinar o nível de exposição dos soldadores. 

Por fim, a NR15 e seus anexos estabelecem os limites de tolerância para a exposição a diversos agentes químicos presentes nos fumos de solda. Se estes limites forem ultrapassados haverá a caracterização da atividade como insalubre, gerando o direito ao adicional correspondente. 

 

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