Custo, informalidade e produtividade: levantamento da CBIC aponta gargalos para o fim da escala 6×1
Levantamento realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que 88,5% das empresas do setor preveem aumento no custo da mão de obra caso o Congresso Nacional aprove mudança na jornada 6×1. O resultado, segundo 84,5% dos entrevistados, é que o custo final dos imóveis ou empreendimentos para o consumidor deverá subir. A percepção de impacto negativo na produtividade das equipes alcança 82,5%, enquanto 81,6% das empresas indicam aumento no prazo de execução das obras.
Ao todo 73,9% das empresas que participaram da pesquisa responderam que haverá necessidade de contratação adicional e ampliação do quadro de pessoal. Essa avaliação das empresas complementa e reforça resultados de pesquisa sobre os impactos econômicos da redução da jornada de trabalho realizada pela CBIC, que indicou a necessidade de 288 mil novos trabalhadores para repor a redução da quantidade de horas trabalhadas.
No novo levantamento, 45,3% dos respondentes afirmam que poderiam reduzir contratações futuras, e 35,0% indicam que demissões poderiam ocorrer no cenário de mudança da jornada. Outro ponto de atenção destacado pela pesquisa é o risco de aumento da informalidade. Ao todo, 78,2% associam a redução da jornada a um estímulo adicional à informalidade no setor, o que contraria os objetivos de qualificação e formalização do mercado de trabalho.
No recorte específico de empresas que atualmente trabalham aos sábados, 83,0% afirmam que o fim da escala 6×1 prejudicaria o andamento das obras. Na visão geral, 78,6% das empresas acreditam que a extinção do trabalho aos sábados impactaria negativamente a rotina dos canteiros.
O levantamento também investigou os efeitos sobre obras públicas. Entre as empresas com atuação nesse segmento, 86,8% projetam aumento de custo em contratos em andamento, e 83,5% preveem elevação de custos em futuras contratações. Esses números indicam que a discussão toca tanto a execução de contratos correntes quanto a formação de preços em novos editais.
A pesquisa ainda identificou que produtividade, disponibilidade de mão de obra e capacitação já são gargalos estruturais hoje. A adaptação à nova jornada, portanto, esbarraria em limitações preexistentes do mercado de trabalho do setor.
Quando estimulados a apontar condicionantes para eventual mudança, 38,2% das empresas sugeriram a revisão da tributação sobre o trabalho; 30,5% citaram aumento da produtividade; 20,6% mencionaram redução proporcional da remuneração; e 10,7% defenderam uma transição escalonada.
O corte por modelo de jornada predominante mostra que o custo da mão de obra é elevado em todos os regimes (entre 88% e 92%). O fim do trabalho aos sábados é apontado como crítico especialmente no modelo híbrido, citado por 92,3% das empresas nessa condição.
A pesquisa ouviu 234 empresas do setor quanto aos impactos sobre a redução da jornada de trabalho e fim da escala 6 x 1, com resultados apontando para mais de 80% de consenso quanto aos indicadores mais importantes. Realizada entre março e abril de 2026, a pesquisa ouviu empresas de 22 unidades da federação e revela percepções majoritárias quanto a custos, prazos, produtividade e emprego formal.
A amostra é representativa nacionalmente, com concentração no Sudeste (36,8%) e Sul (34,6%), mas abrange 22 estados. Há presença relevante de empresas de até 50 trabalhadores, o que reforça a sensibilidade do tema para pequenos e médios negócios.
De acordo com as informações levantadas com os agentes do setor, a mudança na organização da jornada não se restringe a um ajuste de recursos humanos. Ela afeta a própria estrutura produtiva do setor, com repercussões diretas sobre cronogramas, orçamentos e a dinâmica de contratação.
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