CBIC debate inovação e sustentabilidade no setor de infraestrutura

Inovação e sustentabilidade nas áreas de resíduos sólidos, saneamento e pavimentação foi tema destaque do painel Inovação e Sustentabilidade na Infraestrutura, realizado durante o 98º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (Sesi), na Feicon. 

O evento contou com o patrocínio do Banco Oficial do ENIC e da FEICON, a Caixa Econômica Federal, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (CREA-SP), Mútua, Sebrae Nacional, Housi, Senior, Brain, Tecverde, Softplan, Construcode, TUYA, Mtrix, Brick Up, Informakon, Predialize, ConstructIn, e Pasi.

Segundo Carlos Eduardo Lima Jorge, Vice-Presidente de Infraestrutura da CBIC, o Brasil está avançando no desenvolvimento da infraestrutura com inovações para aprimorar serviços e obras, concentrando-se em eficiência e sustentabilidade, o que cria oportunidades para superar desafios. “Na área de infraestrutura, estamos presenciando um ciclo virtuoso repleto de oportunidades significativas para o país. No entanto, é crucial ressaltar que nenhuma dessas oportunidades se concretizará se não estiverem alinhadas com os princípios da sustentabilidade”, enfatizou.

Na área de saneamento, o presidente da Companhia de Saneamento do Paraná – SANEPAR, Cláudio Stábile, destacou que o mundo vive um momento desafiador com os efeitos das mudanças climáticas. Para mitigar os danos já vivenciados e os que ainda estão por vir, Stábile apresentou o processo da economia circular com o foco no tratamento de esgoto. O processo visa associar o desenvolvimento econômico a um melhor uso de recursos naturais. “O binômio economia e ambiental é indissociável”, destacou. 

Após adotar o processo tanto na essência quanto na prática, Stábile explicou que é possível  utilizar 100% dos resíduos, resultando em redução de custos, aumento da geração de receitas e, mais importante, a preservação do meio ambiente. “É possível transformar o esgoto em energia elétrica, mobilidade sustentável, segurança da água e bio fertilizantes”, disse. 

Esse caminho de mudanças também pode ser visto na área de resíduos sólidos, com o novo marco regulatório de saneamento definido pela Lei Federal 14.026, onde modifica as regras para a prestação de serviços no setor, visando aumentar a participação de empresas privadas e alcançar a universalização do acesso ao saneamento, destacou o  presidente da  Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), Pedro Maranhão. 

De acordo com Maranhão, o Brasil conta com cerca de 100 milhões de pessoas sem esgoto, 35 milhões sem água tratada e 95 milhões sem resíduo adequado armazenado. Há uma geração de resíduos global de 2 bilhões de toneladas de resíduos sólidos, e o Brasil é considerado o 4º maior gerador de resíduos do mundo, são gerados cerca de 77 milhões e realizada a  coleta 71 milhões. Apenas 43 milhões têm destinação correta, apontou. 

“Saneamento básico é saúde. O marco do saneamento é verdadeiramente um ponto de virada na história do país. Ele trouxe clareza ao tema e uma nova perspectiva para o mercado, oferecendo maior previsibilidade e segurança jurídica. Saímos da era medieval e adentramos o século 21”, disse.

Outro setor que também tem buscado objetivos nas questões sustentáveis é o setor rodoviário, apontou o Gerente Unidade Negócios da Ingevity, Hernando Macedo Faria. Segundo ele, o setor tem se empenhado para uma maior eficiência energética, redução de emissão de poluentes, além de maior otimização logística, durabilidade e produtividade e custos. 

Durante o encontro, Faria apresentou o cenário de dependência do modal rodoviário em que o Brasil vive, no qual há uma extensão total de 1.720.909 km de malha rodoviária nacional, porém apenas 213.500 km são pavimentados, abrangendo rodovias federais, estaduais e municipais. Diante desse cenário, o painelista destacou o processo da mistura asfáltica morna, considerada um grande avanço no setor. 

Segundo ele, o processo não é uma tendência, e sim um nicho. A mistura asfáltica morna é um tipo de asfalto feito com um aditivo químico chamado surfactante que permite que a temperatura de produção das misturas seja reduzida em pelo menos 30°C em comparação com aos processos convencionais. A tecnologia permite a economia de energia e na redução da emissão de gases poluentes durante a produção do asfalto. “Essa tecnologia já é uma realidade. O Brasil precisa de bons projetos e que eles saiam do papel, precisamos de ações que beneficiem a população como um todo”, disse. 

O tema tem interface com o projeto “Segurança Empresarial como Ferramenta para Geração de Empregos, Redução das Desigualdades Sociais, Desenvolvimento Sustentável da Competitividade e Inovação no Setor de Infraestrutura”, da Comissão de Infraestrutura (Coinfra) da CBIC, em correalização com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

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