Concessionárias de saneamento: desafios e impactos na construção

O setor de saneamento básico no Brasil desempenha um papel crucial na construção, influenciando diretamente o desenvolvimento de projetos e obras em todo o país. No entanto, as concessionárias responsáveis pelo fornecimento de água e tratamento de esgoto enfrentam uma série de desafios que impactam significativamente a indústria da construção. Essa questão foi discutida no painel Concessionárias de Saneamento e os Impactos na Construção, durante o 98º ENIC | Engenharia & Negócios, realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (Sesi).  

O evento ainda tem o patrocínio do Banco Oficial do ENIC e da FEICON, a Caixa Econômica Federal, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (CREA-SP), Mútua, Sebrae Nacional, Housi, Senior, Brain, Tecverde, Softplan, Construcode, TUYA, Mtrix, Brick Up, Informakon, Predialize, ConstructIn, e Pasi.  

Para o consultor da CBIC e diretor da Dimensional Engenharia, Vinicius Benevides, sem infraestrutura o mercado imobiliário sofre com a falta de atrativos. “Onde não tem saneamento, não tem infraestrutura, a gente não tem atratividade no mercado imobiliário”, disse.  

Um dos principais desafios enfrentados pelas concessionárias de saneamento é a falta de investimento em infraestrutura. Com sistemas muitas vezes obsoletos e incapazes de atender às crescentes demandas das áreas urbanas em expansão, os projetos de construção muitas vezes são prejudicados por atrasos e interrupções no fornecimento de água e tratamento de esgoto. 

Benevides reforçou que as pessoas não têm interesse em morar em locais sem tratamento de esgoto e sem condições mínimas. “Ninguém quer morar no lugar onde não tem tratamento de esgoto”, pontuou.  

Além disso, a qualidade da água fornecida pelas concessionárias também pode afetar diretamente os projetos de construção. Água contaminada ou com impurezas pode comprometer a integridade de estruturas e materiais, aumentando os custos e prazos de construção. 

O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Loteamentos Urbanos (Aelo), Caio Portugal, destacou a importância dos esforços na busca do saneamento universalizado. “A gente quer uma convergência de esforços para que o capital aplicado público-privado atinja seu objetivo que é universalizar o saneamento, de uma forma equiparada e equitativa”, disse.  

Outra questão importante é a burocracia envolvida na obtenção de licenças e autorizações para conexões de água e esgoto. A falta de agilidade nos processos pode atrasar projetos e impactar negativamente o cronograma de construção. 

Segundo o presidente da concessionária Águas do Rio, Anselmo Leal, saneamento é privilégio de quem pode arcar com valores altos de IPTU. “A gente vai perpetuar a maior verdade do Brasil, saneamento é privilégio de quem paga IPTU caro. Se você comparar IPTU versus cobertura de água e esgoto, vocês vão ver que saneamento é privilégio”, destacou.   

Além dos desafios enfrentados, as concessionárias de saneamento também exercem um impacto positivo, fornecendo infraestrutura básica essencial para o desenvolvimento de novos empreendimentos. O acesso à água potável e serviços de esgoto adequados é fundamental para a viabilidade de projetos residenciais, comerciais e industriais. 

A construção e o setor de saneamento básico estão intrinsecamente ligados, e somente através de uma abordagem colaborativa e integrada será possível garantir o desenvolvimento sustentável e o progresso do país.

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