Os desafios, projetos e oportunidades para mulheres na construção civil

Em um meio majoritariamente masculino, as mulheres têm conquistado cada vez mais espaço e liderança. Como? Seis lideranças femininas compartilharam os desafios, destaques e oportunidades para as mulheres na construção civil em debate no 98º ENIC | Engenharia & Negócios, no 98º ENIC | Engenharia & Negócios, durante o painel Protagonismo feminino na construção civil. O 98º Encontro Nacional da Indústria da Construção é realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), dentro da FEICON, com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (Sesi). 

O evento ainda tem o patrocínio do Banco Oficial do ENIC e da FEICON, a Caixa Econômica Federal, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (CREA-SP), Mútua, Sebrae Nacional, Housi, Senior, Brain, Tecverde, Softplan, Construcode, TUYA, Mtrix, Brick Up, Informakon, Predialize, ConstructIn, e Pasi.

Mediadora do painel, a vice-presidente de Responsabilidade Social da CBIC, Ana Cláudia Gomes, chamou a atenção para iniciativas que têm feito com que mais mulheres se destaquem no ramo da construção civil. Para ela, um grande exemplo é o trabalho liderado pela Gracia Fragalá, consultora da CBIC na Agenda de Diversidade e de Inclusão da Mulher. “A Gracia, junto conosco, criou um curso que chamamos de letramento sobre a questão da participação da mulher no mercado da construção. E então, fomos olhar a história do trabalho no Brasil, para entender como a mulher começou a participar e como isso mudou historicamente.”

Presente no debate, Gracia destacou que quando é feito esse mapeamento, chama a atenção que em determinados segmentos as mulheres chegam mais qualificadas, mas demoram para ter a mesma remuneração que um homem. “Elas demoram para chegar nas posições mais altas, mas quando chegam, elas vão para setores além do tradicional na indústria”, diz. “Mas precisamos incentivar cada vez mais a participação da mulher na indústria para que ela não demore tanto a chegar em posição de destaque.”

Para facilitar esse caminho, uma das estratégias de Gracia é trabalhar com redes. “Primeiro, nós identificamos quem tem os mesmos interesses, lançamos uma ideia, mobilizamos e quem quer vir junto, vem. Com isso, nosso projeto ganha força, vai se sofisticando e angariando apoio. Foi assim que nasceu o Instituto Rede Mulheres Empreendedoras, que é um dos exemplos que mais gosto de citar”, contou.

Além de unir mulheres e trabalhar em conjunto, a painelista Cristiane Marion, construtora de Mulheres da Wonce Delas, destacou a importância de cada mulher descobrir sua própria essência e conquistar confiança. “Vemos mulheres na condição civil ganharem até 20% menos do que os homens, muitas vezes ela já fez cursos e mais cursos e ainda assim ela não consegue ocupar de fato um lugar dentro da construção civil. Nós aceitamos menos, eu falo nós porque eu já fui assim, mas é que não temos alicerce e esse alicerce é coragem que a nossa autoconfiança nos dá”, analisa.

“Então para a gente crescer realmente viver o protagonismo, a gente precisa entender essas dinâmicas que as mulheres têm e entender essas dinâmicas porque às vezes a gente se confunde com o nosso próprio trabalho, a gente não consegue definir quem nós somos e quem nós estamos na nossa carreira aqui”, completa.

Além do autoconhecimento, Patrícia Sarquis Herden, presidente do Conselho de Urbanismo e Arquitetura (CAU/BR), ressalta que há fatores externos que são barreiras para o protagonismo da mulher. “Fizemos um estudo e vimos que a maternidade e o assédio impedem as mulheres de crescer na profissão. Por isso, começamos a pedir ajuda dos homens para conversarem com os colegas e tornarem o ambiente de trabalho menos hostil às mulheres. Muitas sofrem assédio e desistem do trabalho em silêncio”, explica.

Elissandra Candido, presidente do Sinduscon Sul Fluminense e Líder do Projeto “Elas Constroem”, diz ainda que outras desistem por falta de incentivo pessoal e financeiro. “Muitos maridos não apoiam que a mulher trabalhe e tivemos casos em que as mulheres desistiram de cursos por não ter dinheiro para arcar com a passagem, então, começamos a buscar patrocínio para que elas não desistam.”

“Vemos que as mulheres também trabalham para ajudar as mulheres a desenvolverem habilidades. Temos que ter mulheres aonde elas quiserem estar e precisamos incentivar isso, seja em canteiro de obras ou postos mais administrativos. A gente já entendeu que temos que desenvolver mulheres líderes para que elas ocupem espaços de liderança. Esse processo acelera naturalmente, e ela começa a se preocupar e a trazer mais mulheres para esses espaços”, finaliza Poliana Krüger, assessora da Presidência no Conselho Federal de Engenharia (Confea-DF).

O tema discutido no painel sobre protagonismo da mulher na construção civil tem interface com o projeto “Responsabilidade Social na Indústria da Construção”, da Comissão de Responsabilidade Social (CRS) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com a correalização do Serviço Social da Indústria (Sesi).

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