ENIC discute demanda por engenheiros no Brasil e como valorizar a profissão

Procuram-se engenheiros no Brasil: de qualidade e em quantidade. O setor da construção ausculta os motivos do desinteresse dos jovens pela profissão e as formas de inverter um quadro de baixa autoestima da categoria e desistência da área. Propostas baseadas em pesquisa junto a estudantes, profissionais e população  reuniu educadores, representantes de classe e empresários no painel Engenharia do amanhã: habilidades e competências do futuro, no 98º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), dentro da FEICON, com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (Sesi).

O evento ainda tem o patrocínio do Banco Oficial do ENIC e da FEICON, a Caixa Econômica Federal, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (CREA-SP), Mútua, Sebrae Nacional, Housi, Senior, Brain, Tecverde, Softplan, Construcode, TUYA, Mtrix, Brick Up, Informakon, Predialize, ConstructIn, e Pasi.

O mediador Ilso Oliveira, vice-presidente de Obras Industriais e Corporativas da CBIC, disse que  a pesquisa é parte do empenho da entidade em projeto de valorização dos engenheiros. De acordo com o levantamento da Paraná Pesquisas, que ouviu duas mil pessoas, a população tem melhor imagem do engenheiro do que o próprio profissional. 90% dos profissionais que atuam na área estão satisfeitos com a profissão, embora um terço (37%) reclame de baixos salários.

Os profissionais também reclamam da grade curricular. Acreditam que estariam mais bem preparados se tivessem aprendido na faculdade economia e finanças, engenharia sustentável. Comunicação e apresentação, gestão de projetos e PMI. 62% dos engenheiros acham que deveriam passar por exame para exercício da profissão, como ocorre com advogados e médicos. 

José Carlos Martins, presidente do conselho consultivo da CBIC, engenheiro civil de formação, é um defensor da ideia, e não só dela, mas também, nos moldes da medicina, de uma residência técnica. “Tínhamos que ter um exame, para ter bacharel e o profissional pleno”, disse, na expectativa de que a seleção ajudaria a área a recuperar os 7% de participação no PIB, hoje em 3%.

Vinícius Marchese, presidente do Conselho Federal de Engenharia (Confea) citou a proporção atual no país de um profissional da engenharia para cada 11 da administração e outros 11 do direito para confirmar a expectativa ruim para o futuro, mas não apoia a proposta do exame. “Exame de ordem, em 20 anos de discussão, nunca me convenceram de que é bom. Isso não é sinal de qualificação. A avaliação e monitoramento das escolas é importante. Residência técnica, sim, serve ao aperfeiçoamento e seleção.”

“O curso do amanhã depende das escolas”, disse Luiz Roberto Curi, presidente do Conselho Nacional de Educação, para quem as instituições de ensino são conservadoras na avaliação e no incentivo de talentos. 

Todas as opiniões convergiram par a conclusão de que é preciso uma ação que envolva educadores, profissionais, empresários e governos. “Valorizar engenharia é questão de sobrevivência do nosso setor.”, arrematou o dirigente da CBIC.

Esse tema tem interface com o projeto “Sustentabilidade das Empresas do Segmento de Obras Industriais e Corporativas”, da Comissão de Obras Industriais e Corporativas (COIC) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, em correalização com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (SESI). 

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