Quintas da CBIC debate compromisso pela equidade de gênero na construção

Na noite desta quinta-feira (7), a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) debateu, durante o Quintas da CBIC, o papel das mulheres na construção civil, sob o tema “Elas constroem um novo caminho”. Ao abrir a discussão, o vice-presidente da entidade, Eduardo Aroeira, destacou a importância estratégica do tema não apenas para o setor da construção, mas para a sociedade como um todo.

“Esse tema é de grande importância, pois é estratégico não só para a construção, mas para o mundo. Além de tudo, as mulheres são muito importantes na nossa vida e a gente tem que trabalhar exatamente para que elas tenham esse lugar de destaque que elas merecem”, enfatizou Aroeira, dando o pontapé inicial para uma reflexão profunda sobre a presença e a valorização das mulheres na indústria.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, que enviou um vídeo especialmente para o debate, também se manifestou sobre a significância da presença feminina no cenário profissional. “Elas constroem novos caminhos. E quantos caminhos novos elas estão construindo, estão de parabéns. Nós reconhecemos todo o valor de vocês, mulheres, e estimulamos para que a gente possa ser simplesmente iguais”, ressaltou o presidente da CNI. 

Ele expressou ainda sua esperança de um futuro onde não seja mais necessário chamar a atenção para a desigualdade de gênero. ”Creio que há muito espaço para todos trabalharem em igualdade”, finalizou Alban. 

Iniciando a roda de debate, Ana Cláudia Gomes, vice-presidente da área de Responsabilidade Social (CRS) da CBIC, trouxe uma perspectiva inicial sobre o papel das mulheres na construção civil.

“Elas constroem um novo caminho, mas nunca sozinhas, sempre lado a lado com os homens para que a gente possa, efetivamente, avançar”, destacou Gomes, enfatizando a importância da colaboração entre gêneros no progresso do setor. Para ela, a parceria construtiva, onde homens e mulheres contribuem de maneira conjunta é fundamental para o avanço da indústria.

Ao contextualizar a situação atual, Gomes fez uma análise crítica da história. “Quando a gente olha um pouquinho para a história, a gente nota alguns avanços, mas eles são muito pequenos diante do tanto de oportunidades que existem nos mercados e em todas as indústrias”, observou. Sua reflexão destacou a necessidade de superar desafios históricos e capitalizar as vastas oportunidades disponíveis para as mulheres na construção.

Gomes também apontou para o papel ativo da entidade no impulsionamento dessa transformação. “A CBIC olhando para essa questão nos ajuda a galgar algumas conquistas e devagar crescendo de forma consolidada”, afirmou. Para Ana Cláudia, é estratégico o papel de instituições como a CBIC no impulso de mudanças positivas, oferecendo apoio e oportunidades para que as mulheres avancem e se consolidem em suas carreiras.

Também presente no debate, Grácia Fragalá, vice-presidente do Conselho Superior Feminino da FIESP, refletiu sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na indústria da construção e a luta contínua por igualdade.

“Essa nossa trajetória é de longo tempo”, compartilhou Fragalá, esclarecendo sobre a persistência de desafios históricos. Ela destacou a predominância masculina na indústria da construção e em outras áreas, apontando para a dificuldade de mulheres alcançarem posições que tradicionalmente foram ocupadas por homens. O desafio, conforme ela expressou, está em romper com os estereótipos associados às atividades femininas e redefinir o papel das mulheres na indústria.

Ao abordar as limitações impostas aos papéis femininos, Fragalá destacou a necessidade de superar barreiras percebidas. “O que as mulheres vêm lutando ao longo do tempo é para dizer o seguinte: nós estamos do lado dos nossos companheiros em todas as atividades, nós podemos e temos as capacidades técnicas e as outras habilidades para construir esses novos caminhos ao lado dos homens em qualquer uma das atividades”, afirmou. 

Fragalá enfatizou o anseio por uma colaboração mais estreita entre homens e mulheres na construção civil. “E queremos, juntos com os homens, ir rompendo as barreiras para que a gente possa ocupar esses espaços e, juntos, construir esses novos caminhos”, afirmou. 

Trazendo um recorte essencial, Jandaraci Araujo, conselheira do Instituto Inhotim, do FutureCarbon e do Kunumi, ressaltou a história de lutas e desafios enfrentados pelas mulheres ao longo do tempo, destacando a invisibilidade e a desigualdade enfrentada por mulheres negras.

“A gente tem uma outra trajetória, pois sempre estivemos no mercado de trabalho, desde que esse país é país, atuando em várias frentes, no entanto, nunca em cargos altos de liderança”, observou Araujo. Ela apontou para o histórico de mulheres negras que, historicamente, estiveram presentes nos bastidores e na base da construção do país, mas raramente ocuparam cargos de liderança.

Araujo compartilhou sua própria experiência, destacando as dificuldades enfrentadas por mulheres negras no mercado de trabalho. “A minha história não é muito diferente de várias mulheres negras no país, onde o empreendedorismo foi a primeira oportunidade para o trabalho informal”, afirmou. Ela descreveu sua trajetória como empreendedora, sua transição para o setor privado e público, destacando a importância de ocupar espaços e trazer outras mulheres consigo.

A conselheira também trouxe à tona as questões estruturais e de gênero que ainda persistem. “Temos o que nos tangencia que são questões estruturais, de gênero, mas a gente ainda está em caminhos diferentes a serem traçados e objetivos a serem alcançados”, ressaltou. Araújo destacou o desafio de reduzir a disparidade, especialmente ao apontar que mulheres negras em alta liderança ainda representam menos de 1% das estatísticas.

Contudo, Araújo enfatizou a necessidade de focar nas oportunidades e no compartilhamento de melhores práticas. “A gente precisa falar muito mais das oportunidades e como criar elas. E precisamos compartilhar melhores práticas. Eu acho que é isso que vai fazer a transformação, é isso que vai mudar a trajetória”, concluiu. 

Ao encerrar o Quintas da CBIC, Eduardo Aroeira trouxe uma visão otimista sobre o papel das mulheres na construção civil, especialmente focando no recorte das mulheres negras.

“Acho que essa discussão acontece num momento muito propício”, observou Aroeira. Ele destacou a preocupação do presidente da CBIC, Renato Correia, com a falta de mão de obra na construção civil e a necessidade de industrialização do processo construtivo. Essa conjuntura, segundo Aroeira, oferece uma oportunidade única para incluir mulheres, especialmente as mulheres negras. Ele questionou por que não incluí-las, considerando a necessidade de qualificar os trabalhadores existentes.

Para Aroeira, a inserção das mulheres na construção civil vai além de uma simples necessidade de recolocação, é uma prioridade para reconhecer e valorizar o trabalho dedicado que as mulheres desempenham. Além disso, ele destacou a importância estratégica de ter mulheres comprometidas, dedicadas e responsáveis na indústria.

O vice-presidente enfatizou que a conjuntura atual na construção civil é fundamental e que a discussão realizada no evento serve como preparação para a inclusão cada vez maior de mulheres nos próximos anos. Ele ressaltou que a meta não é apenas incluir mulheres como mão de obra desqualificada, mas sim como líderes e trabalhadoras qualificadas, valorizadas tanto pelas empresas quanto pelos colegas homens.

“Acredito que o campo e o espaço para a conquista das mulheres na construção civil são gigantescos e estratégicos”, afirmou Aroeira. Ele enfatizou que há caminhos e oportunidades disponíveis, e destacou a importância de conversar e trabalhar em conjunto para a evolução tanto da sociedade quanto das empresas. 

O tema tratado tem interface com o projeto “Responsabilidade Social na Indústria da Construção”, da Comissão de Responsabilidade Social (CRS/CBIC), com a correalização do Serviço Social da Indústria (Sesi Nacional).

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