Sustentabilidade e crescimento no setor da construção

No cenário dinâmico da construção civil, a busca pela sustentabilidade torna-se um pilar crucial para o crescimento e a evolução do setor. A interconexão entre práticas sustentáveis e o desenvolvimento econômico se destaca como um tema central nas discussões sobre o futuro do setor. O compromisso com a sustentabilidade abrange desde a preservação do meio ambiente até o cuidado com as questões sociais e financeiras das empresas envolvidas nesse ecossistema.

Durante o painel da Comissão de Obras Industriais e Corporativas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (COIC.CBIC) no Construa Maranhão, a atenção voltou-se para a essencialidade da integração entre sustentabilidade e crescimento. O vice-presidente de Obras Industriais e Corporativas da CBIC, Ilso Oliveira, destacou essa interligação, afirmando: “Estamos falando de temas importantes, que é a sustentabilidade e crescimento, e as coisas estão interligadas, pois sem sustentabilidade não tem crescimento. A sustentabilidade vai desde o cuidado com o meio ambiente, pessoas e o cuidado com a parte financeira também das empresas que trabalham com isso”, destacou. 

O vice-presidente da CBIC ressaltou que o compromisso com práticas sustentáveis não é apenas um imperativo ético, mas uma estratégia essencial para a sobrevivência e prosperidade a longo prazo das empresas no setor da construção. Segundo Ilso de Oliveira, a incorporação de valores sustentáveis não só atende às demandas da sociedade atual, mas também posiciona as empresas de forma mais sólida no mercado, gerando benefícios tanto para o ambiente quanto para a saúde financeira das organizações.

Completando sua fala, o executivo defendeu que a sustentabilidade deve ser encarada como uma pauta transversal, permear todas as etapas do processo construtivo e ser adotada como parte da cultura empresarial. “Não é apenas sobre aderir a modismos, mas entender que a sustentabilidade é um investimento no futuro, tanto em termos de reputação quanto de eficiência operacional”, ressaltou ele, realçando a necessidade de uma mudança de paradigma na indústria da construção.

Também presente no debate, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Maranhão (Sinduscon-MA), Fábio Nahuz, reforçou a relevância do tema para toda a cadeia da construção. “Por que esse tema é tão importante para nós? Porque queremos conscientizar cada vez mais os empresários das grandes e médias empresas. Mas também queremos que o pequeno empresário se engaje nessa pauta e desenvolva isso em toda nossa cadeia”, afirmou. 

Para Nahuz, é necessário o envolvimento de todos os segmentos da indústria da construção na busca por práticas mais sustentáveis. “O engajamento dos pequenos empresários se mostra fundamental para efetuar mudanças significativas em toda a cadeia produtiva, promovendo um ambiente mais sustentável e propício ao crescimento responsável do setor”, disse. 

Trazendo uma perspectiva regional à discussão, Edmilson Pires, vice-presidente do Sinduscon-MA, falou das expectativas em relação ao setor. “É preciso que a gente olhe para esse tema pensando principalmente no futuro, pois temos um potencial enorme, principalmente aqui na região Norte. Estamos com uma expectativa muito elevada em relação a esse tema dentro do nosso setor”, disse Pires. 

Ricardo Fabel, membro do CIE-COIC e gestor de Desenvolvimento de Negócios da Tractebel Engineering, também contribuiu para a discussão, enfatizando a importância do ESG (Ambiental, Social e Governança) como um caminho para o sucesso dos empreendimentos. “Em relação ao ESG, todo mundo que irá trabalhar com isso precisa ter um propósito, engajamento, é a gente pensar na sustentabilidade do planeta”, ressaltou Fabel.

Ao abordar o tema do ESG, Fabel também destacou a importância de ir além de uma abordagem puramente técnica. Ele enfatizou que não se trata apenas de adotar medidas superficiais de sustentabilidade, mas sim de incorporar esses princípios no cerne da cultura corporativa. “ESG vai muito além de atender a requisitos normativos. É necessário que haja uma mudança cultural nas organizações, uma compreensão profunda de que a sustentabilidade é parte integrante do sucesso a longo prazo”, ressaltou Fabel.

O gestor da Tractebel Engineering também abordou a necessidade de engajamento contínuo e colaboração entre as partes interessadas. Segundo ele, o diálogo aberto e transparente com comunidades locais, investidores e colaboradores é crucial para construir empreendimentos sustentáveis. “Não é uma jornada solitária. A colaboração é fundamental para enfrentarmos os desafios complexos relacionados à sustentabilidade”, afirmou.

Além disso, Fabel salientou que o propósito por trás das ações é um elemento-chave na implementação efetiva de práticas ESG. Ele encorajou as empresas a adotarem um propósito claro, alinhado aos valores sustentáveis, e a comunicá-lo de maneira transparente. “Ter um propósito é o que nos guiará nas decisões difíceis e nos momentos desafiadores. É um farol que orienta as ações em direção a um futuro mais sustentável”, declarou.

Trazendo uma perspectiva estratégica ao debater os investimentos e oportunidades no setor da construção, o diretor de operações da Alumar, Walmer Rocha, destacou que, ao avaliar o processo de seleção, é fundamental considerar uma abordagem holística, indo além do tradicional olhar para o menor preço. “Acredito que no mundo de hoje, e o que a gente vive na Alumar, quando você faz o processo de contratação e você olhar só para o final da linha e olhar o menor preço, isso não existe mais, é coisa do passado, e empresas que ainda fazem isso não terão a perenidade”, disse Rocha. 

Ele destacou ainda que essa abordagem ressalta a evolução nas práticas de contratação e destaca a necessidade de considerar critérios mais amplos, incluindo a sustentabilidade e a responsabilidade social. A conexão entre preço e perenidade das empresas evidencia um entendimento mais profundo dos desafios e oportunidades que permeiam o setor da construção.

Walmer Rocha também enfatizou a importância de um catálogo de contratadas, sinalizando para a construção de parcerias sólidas e sustentáveis. Essa abordagem não apenas beneficia a empresa contratante, mas também cria um ambiente propício para o crescimento mútuo e para o desenvolvimento da indústria da construção como um todo.

Finalizando o debate, Rocha ressaltou que a construção de uma narrativa mais completa sobre as transformações em curso no setor não apenas abre portas para oportunidades de investimento mais sustentáveis, mas também fortalece a base para um crescimento duradouro e responsável.

O Construa Maranhão foi uma realização conjunta da CBIC e do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Maranhão (Sinduscon-MA), com a correalização do Sesi e do Senai Nacional e patrocínio da Softplan, Confea e Mútua. O evento ocorreu nos dias 9 e 10/11 junto à 5ª edição da Expo Indústria Maranhão, já consolidada como a maior feira multisetorial do Nordeste.

O tema tratado tem interface com o projeto “Sustentabilidade das Empresas do Segmento de Obras Industriais e Corporativas”, da COIC/CBIC, em correalização com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional).

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