Summit ESG: “É uma agenda que transforma e precisa ser feita”, defende presidente da CBIC

É necessário transformar a agenda ESG em um entendimento cultural, pois ela é transformadora e precisa ser feita, defendeu o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, durante o Summit ESG. O evento, promovido pelo jornal Estado de S. Paulo, aconteceu nesta quarta-feira (14), em São Paulo, em formato híbrido. 

O evento trouxe o tema “ESG como pilar dos negócios: responsabilidade social, ambiental e corporativa com transparência”, com o intuito de debater até que ponto as empresas brasileiras estão sabendo lidar com esse ambiente e o que ainda precisa ser feito dentro dessa temática.

“A gente entende que isso é uma pauta da sociedade e que todos nós devemos estar imbuídos e as lideranças são o começo dessa transformação. Essa é uma agenda que transforma, que precisa ser feita”, afirmou o presidente da CBIC durante apresentação do painel “ESG na Indústria: meio ambiente e ações socioambientais viraram protagonistas?”.

Ainda durante o painel, Martins compartilhou os avanços alcançados pela CBIC em termos de implementação de práticas ESG na indústria da construção. “Nós precisamos fazer com que a agenda ESG seja uma cultura. Para a CBIC, cada projeto nosso, se ele não estiver nas três letrinhas, ESG, ele não vai para a frente”, exemplificou. 

Sobre os projetos realizados pela CBIC, José Carlos Martins destacou a importância de estarem dentro dessa temática. Para ele, o G de governança é vital nesse processo. “É importante termos o olhar na governança. E quando não se trabalha para que essas mudanças e transformações sejam ganhos de competitividade, de mercado, elas acabam se perdendo”, disse.

Também presente no painel, Gustavo Cicilini, vice-presidente de Recursos Humanos e Assuntos Corporativos da Nexa, uma das maiores empresas de mineração do país, abordou os desafios enfrentados por uma mineradora em endereçar as questões do ESG, sobretudo de impacto ambiental. 

“Nós temos várias frentes e avançamos na estratégia e no compromisso de ESG. Estamos focados em reduzir a nossa pegada de carbono e temos projetos e resultados interessantes também no tema de utilização de resíduo de água e nas ações de segurança e de diversidade e inclusão”, explicou Ciclini. 

Luís Guedes, professor-doutor da Graduação e do Mestrado da FIA (Fundação Instituto de Administração), também esteve presente no debate e destacou a importância de ter uma coordenação de ESG dentro das empresas. 

Para ele, é preciso uma figura centralizadora, além do debate sobre a estrutura das empresas e da sociedade. “Esse tema nos toca a todos, porque ele fala sobre o equilíbrio do que fazemos, produzimos com o lugar que vivemos com as pessoas que estão ao nosso redor”, disse Guedes. 

Projetos com olhar ESG

Como exemplos dos avanços alcançados pela CBIC, Martins trouxe alguns projetos realizados pela entidade que têm o olhar ESG, como por exemplo o “Cidades resilientes às mudanças climáticas”. “No Brasil, várias tragédias acontecem durante o verão, com enchentes. Mas quando passa, no resto do ano se esquece, como aconteceu com o caso de São Sebastião”, lembrou Martins. 

Para ele, a tragédia de São Sebastião aconteceu por falta de planejamento e investimento naquilo que atende a própria sustentabilidade. “Mas também falta o S, que é o social, para que dê condições de vida para essas pessoas”, pontuou o presidente da CBIC. 

A construção sustentável foi um outro tema trazido por José Carlos Martins, que para ele, deve ser o carro chefe da entidade. O primeiro ponto que vem sendo trabalhado pela CBIC é a questão da eficiência energética, que precisa ser vista não só pelo setor, mas também pela esfera pública. “Citando o MCMV [Minha Casa, Minha Vida], como exemplo, nós estamos fazendo uma força muito grande para que os projetos precisem ser inseridos dentro de um controle de eficiência energética para que a pessoa que vai comprar aquele imóvel, possa comprar melhor”, disse o presidente da CBIC. 

Finalizando, Martins falou sobre a construção com madeira. Ele destacou que é preciso zerar as emissões e essa modalidade de construção pode ser uma alternativa. “Por um lado, temos alguns materiais essenciais que emitem, mas por outro lado você tem a madeira que captura, então dá pra fazer um balanço, equilíbrio, transformando parte dessas construções”, exemplificou. 

Além disso, essa modalidade incorpora mais o processo industrial no setor, diminuindo as perdas. “O que setor está procurando é exatamente se transformar e ser mais a indústria e não o ateliê da construção. Porque hoje o nosso processo ainda é muito artesanal e precisamos mudar isso”, disse.

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